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Porque reler bem antes de colocar algo na web

Agosto 3, 2009

É preciso sempre muito cuidado ao escrever algo na internet. Num blog ou site, ainda rola de apagar ou corrigir o erro. Mas em outros lugares, como no twitter, não dá para simplesmente jogar o texto na lixeira.

No texto abaixo, o secretário de coordenação das subprefeituras de São Paulo, Andrea Matarazzo, errou ao digitar “alrgar”, e deu margem a duas interpretações. Uma maldosa, claro.

“Não dá para alargar como gostaríamos” ou ”Não dá para largar como gostaríamos”?

No Twitter, já errei várias vezes ao digitar algo no twitter, ou mesmo escrevi frases que não estavam erradas, mas que depois me arrependi de colocá-las. Não adianta.A frase, mesmo deletada, pode ser acessada no sistema de pesquisa do site ou ficar registrada no aplicativo que um seguidor usa para acessar o twitter, como o twitterdeck.

Existem exemplos piores que o acima. Bem piores.

#forasarney

Julho 2, 2009

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Qual o objetivo do #forasarney afinal?

Não sei. Foram tantas justificativas, tantas argumentações apresentadas na internet, que resolvi falar apenas por mim.

Acho que o José Sarney deve renunciar do cargo para – como senador – se defender de todas as acusações surgidas contra ele. Deixando assim a presidência livre para outro colega, que permita um trâmite o mais célere possível das mudanças exigidas pela sociedade por mais transparência e mecanismos contra corrupção. Com o Sarney atualmente no cargo, isso não tem sido possível. Também não acho que a defesa apresentada até agora por ele tenha explicado todas as acusações que pesam contra o senador.

Sei que a saída do Sarney em si não vai moralizar o Senado. Tenho certeza que ele continuará influente no meio político. Mas não concordo com a permanência dele na presidência.

E se assumir outro com tantas denúncias como há contra o Sarney, também serei contra. E espero ter a possibilidade de me manifestar – seja com #forafulano ou de outra forma qualquer, não importe quem ocupe o cargo, se houver acusações sem uma defesa bem justificada.

Aderi ao #forasarney pelo barulho, pela possibilidade de haver um número suficiente de pessoas que fizessem barulho a ponto de chamar a atenção da mídia. Incentivei outros a fazerem o mesmo. Adicionei links com reportagens ou comentários interessantes contra o senador na esperança de que alguém mais se manifestasse, que – motivado pelo barulho na mídia – se informasse sobre o José Sarney e a atual situação.

E, realmente, logo o #forasarney chamou a atenção da mídia, foi notícia em sites e jornais. Blogueiros passaram a repercutir isso. Pessoas alheias à discussão comentavam, mesmo que vagamente sobre o assunto.

Acredito também que muitas pessoas que digitavam o #forasarney estavam, como eu, indignados contra tantas acusações.

Surgiram protestos contra os protestos anti-Sarney. Pessoas que atacavam quem escrevia o #forasarney, dizendo que eramos todos apenas internautas querendo aparecer, querendo vestir máscaras de engajados social e politicamente. Alguns também que, por outros motivos, começaram a ironizar os nossos protestos. E quem realmente defendia, com bons argumentos, que o movimento era fadado ao fracasso.

Enfim. Acredito que cada um faz seu barulho como pode, e defende o que quiser. Desde que esteja bem intencionado e respeite a opinião alheia, eu respeito.

Para mim, uma coisa é certa: estamos todos insatisfeitos com a atual situação política. Isso é evidente. Mas cada um tem sua própria idéia do que fazer, suas próprias intenções, e não há um caminho mais claro e comum para o qual possamos nos direcionar numa maioria. Aí não há como juntar frustados, idealistas, esperançosos, ingênuos, espertos, bem-intencionados, pessimistas, os “do contra”, esquerdistas, conservadores, honestos etc.

Achei antecipado demais esse lance de querer ir às ruas só porque muitas pessoas digitavam o #forasarney no Twitter. A tag não é um sinal de que todos estamos mobilizados. É um sinal de que – de uma forma ou de outra – não compactuamos com o que está acontecendo no senado.

Ajudei, no meu perfil do Twitter, a divulgar a manifestação em Goiânia. Afinal, era uma informação que eu achei interessante. E tinha pessoas querendo saber. Ouvi dizer depois que não foi ninguém e que foram 15 manifestantes lá.

Mas como disse mais acima, é o que penso. Alguém pode concordar. Outros podem discordar. Em curto prazo, acredito que a imprensa continuará explorando o caso, os políticos aliados ou não vão agindo conforme interesses particulares ou partidários ou de terceiros, o Sarney vai renunciar ou não, e outros virão. Quantos presidentes de Senado já renunciaram?

A diferença é que desta vez a atual crise levou algumas pessoas a fazerem um barulho na internet. Um barulho que virou notícia. Não acho que devessemos ter nos levado tão mais a sério do que isso neste momento.

O twitter “furou” a imprensa de novo…

Junho 27, 2009

Não tem jeito. Se ainda falta credibilidade às notícias veiculadas por blogues, microbloggings e outras redes sociais da internet, está evidente que elas estão aos poucos fazendo o que há algumas décadas a televisão fez com os jornais impressos e, mais recentemente, os sites noticiosos fizeram com a própria televisão.

Vejam o caso do Michael Jackson. Todo mundo já “tuiutava” sobre o ocorrido quando o site de celebridades TMZ confirmou a morte do astro pop. E o site, que deu o até agora “furo do ano”, é bastante conhecido por conseguir se adaptar rapidamente às novas tecnologias.

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O grande problema do TMZ é que é um site conhecido pelas fotos de papparazzi e pelo sensacionalismo, ou seja, a morte oficial do Michael Jackson veio minutos depois, quando a CNN confirmou com fontes próprias. Aí todos os meios de comunicação deram a notícia como verdadeira. Mas esta é outra discussão.

Acompanhando esse caso do Michael Jackson eu vi como a internet é um ambiente hipercompetitivo. Todo mundo querendo dar a notícia em primeira mão, numa velocidade que não dava para saber se podíamos confiar na veracidade da informação. No Twitter, todo mundo falando ao mesmo tempo (tanto que o site quase parou). No Google ficou impossível navegar. Teve uma matéria da CNN depois dizendo que a morte do MJ quase derrubou a internet.

No dia seguinte, veio – entre outras – a discussão que comentei no post anterior, sobre as capas dos jornais impressos.

Aqui no Brasil, passou meio despercebido, as o Twitter furou a imprensa tradicional mais uma vez. Agora com o anúncio da demissão do Vanderley Luxemburgo feito pelo próprio em sua página no Twitter e no seu blog. Era 0h44 de sábado, quando a notícia veio ao ar.

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O Uol colocou a notícia na página principal pouco mais de 10 minutos depois, mas provavelmente porque o blog do técnico está inscrito dentro do portal. Os concorrentes demoraram horas até também noticiarem o fato. O Globo chegou a colocar a informação dentro da página de Esportes, às 1h15, mas até eu ir dormir, por volta das 2h30, não havia nada na página principal. Nos outros portais, nem notícia interna havia.

Ok. Tem a questão do horário. Cobrar agilidade de madrugada é sacanagem. Mas o fato é que a demissão já era comentada por muitos tuiteiros de plantão. Mais uma vez, a disseminação da notícia foi pela rede de microblogging.

Tem também a questão da checagem. Afinal hackers poderiam ter invadido o blog e o twitter e colocado o post com a informação falsa. Ou não? Já invadiram um site de fofocas e noticiaram a morte do Sílvio Santos recentemente.

O que aprendi disso tudo é que as redes sociais estão pressionando cada vez mais a imprensa tradicional. Mas a credibilidade ainda é um fator preponderante para a conquista do primeiro lugar no coração do público. “Ainda.”

E acho que a morte do MJ representa não só um marco para a TMZ, mas uma lição para que fiquemos mais atentos ao tipo de trabalho que o site tem feito para ter conseguido sair na frente.

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Mais sobre o assunto da cobertura da mídia no caso MJ:

- No blog Monitorando;

- No blog do Tiago Doria.

O que eu vi sobre o acidente no Twitter 2

Junho 4, 2009

O acidente com o Airbus da Air France ocorreu provavelmente em menos de cinco horas após ter saído do Rio de Janeiro no voo AF 447, às 19 horas do dia 31 de junho. Além de ler as notícias nos portais Terra, UOL e Globo.com e nas agências Folhapress e EFE, tentei seguir o caso pelo Twitter, como já disse em um post anterior.

No quarto dia desta empreitada, posso dizer que houve poucas coisas boas para se dizer da cobertura “twitteira”. Por isso, começo o texto pelas exceções: comecei a seguir o @breakingnews e o @radiobandnewsfm, muito bons; foi através do @luiznassif que descobri um bom site sobre aviação, o The Aviation Herald (em inglês).

Agora, às pérolas:

Na segunda-feira, dia 1º, rolou muita piada sem graça fazendo referência ao seriado Lost (até então se falava em desaparecimento do Airbus), e também surgiu comentários sobre a carta do profeta picareta Jucelino da Luz, que colocou em seu blog – depois do acidente – um texto afirmando que havia previsto tudo, nos mínimos detalhes.

Na terça-feira, dia 2, já não havia tantas referências ao seriado Lost, mas os piadistas mais seguidos no Twitter começaram a fazer novas piadas, todas de humor negro. Também neste dia apareceu links para uma mensagem deixada por um rapaz no Orkut no dia 29 de maio onde ele disse ter sonhado com um acidente de um avião da Airbus no mar. Quando começaram a procurá-lo no Orkut, ele tirou a mensagem.

Ontem, dia 3, rolou uma briga pelo twitter entre dois blogueiros que disputavam a primazia na postagem de uma foto de um pedaço qualquer oceano, dizendo que ali era o local do acidente do voo. Também falaram um tanto da ambientalista que afirmou em entrevista a um site noticioso que o avião havia sido sugado por um buraco negro.

E hoje, logo pela manhã, começa a repercutir uma declaração no Twitter de uma ex-bbb feita logo pela manhã do dia 1º, quando começou a pipocar as notícias do acidente, onde ela afirma que acredita “em forças sobrenaturais, em física quântica, e pode ter sido abdulzido esse avião…pq não?não somos sozinhos nesse universo”.

Pois é. Esse é o twitter na cobertura da “maior” tragédia do ano (até o momento).

O sumiço do Airbus da Air France pelo Twitter

Junho 2, 2009

Se no domingo sofri o impacto da já esperada ausência de Goiânia na lista da Fifa com o nome das cidades-sedes dos jogos da Copa de 2014, a minha segunda-feira for marcada, claro, pelo desaparecimento do avião da Air France no voo AF 447, que saiu do Rio de Janeiro (RJ) rumo a Paris.

A notícia me pegou enquanto eu estava dormindo. Explico: é que dormi com a televisão ligada e já por volta das 7 horas, com o Bom Dia Brasil passando na Globo e eu naquele estágio em que não se sabe se estamos lá ou cá, acabei sonhando alguma coisa relacionada ao avião.

Acordei amargo, mas já sabendo o que me esperava. Acompanhar o dia inteiro, pela internet, tudo o que rolava sobre o sumiço do Airbus francês. Com uma diferença, desta vez iria acompanhar pela primeira vez um fato de grandes proporções ocorrido no Brasil e com repercussão no mundo inteiro pelo Twitter.

Se a queda do avião da Gol, em 2006, e a explosão do avião da Tam, no ano seguinte, bombaram no Orkut, certeza que desta vez o assunto iria ganhar novas proporções no microblogging.

Ledo engano. Só as mesmas bobagens que eu lia naquelas comunidades do Orkut. Mas desta vez sem os links para ver os perfis das vítimas no site de relacionamento.

O que o Twitter deu em primeira mão? Pelo menos, o que eu vi foram apenas links para notícias nos principais portais ou algum jornal de Portugal e da França.

O twitter, pelo contrário, foi responsável pela maior bola fora na internet em relação ao acidente. Isso porque começaram a twittar que a dj paulista Lalai Santos foi para a França em um voo do Brasil na noite de domingo. Primeiro foi essa mensagem. Mas então um blogueiro com milhares de seguidores descobriu, twittou, e o lance ganhou proporções bem maiores. 

Pronto. Foi o suficiente para todo mundo perguntar onde estava @lalai. Como se isso não fosse suficiente para comover boa parte dos internautas, uma mensagem dela publicada por volta das 16 horas de domingo deu o ingrediente que faltava para a notícia ganhar ares transcendentais: “Indo pro aeroporto numa baita ressaca. Vou morrer no avião hoje.”

No final da manhã, descobriu-se que Lalai partiu de São Paulo e não do Rio, e chegou salva na França. No fim, ela acabou ganhando uns 600 seguidores no Twiiter e deu as entrevistas esperadas. Depois disso, não houve mais nada interessante no twitter.

Não. Ninguém de dentro do avião mandou uma mensagem pelo celular para sua página no twitter nem uma foto para o twipic. O Jornal de Notícias, de Portugal, afirmou que foram enviados SMS pouco antes do sumiço. Mas isso é celular. Já no Twitter, havia pouquíssimas mensagens de pessoas dizendo que conheciam alguma das vítimas.

À tarde, fiquei sabendo do profeta picareta Jucelino da Luz colocou em seu blog uma carta que ele jura ter escrito em 2007 falando sobre o acidente. Aquele esquema batido e fraudulento de colocar a carta na internet depois que o acidente acontece. Isso até eu sei fazer. Aqui explica como ele é picareta. Causou um certo barulho no Twiiter à tarde. Mas depois morreu o assunto.

Abri duas páginas do Twitterfall. Coloquei vários tags possíveis, como Air France, AF 447, Brazil, Brasil, Rio de Janeiro, Paris, Cabo Verde, Senegal, Cape Verde etc. Em um, dei preferência para os twits em português. No outro, selecionei todas as línguas. Usei outros aplicativos de pesquisa também. Sem resultados concretos.

O que pegou mesmo, de verdade, foram as piadas previsíveis relacionando o desaparecimento do Airbus ao seriado Lost. Me serviu de lição: certo tipo de humor negro não devemos nunca torná-los públicos. Deve ser foda você perder alguém querido e ler uma piada malfeita sobre essa perda feita por um desconhecido. Dá raiva. Nem vou linkar nenhuma aqui para não dar ibope a estas pessoas.

No final da noite, quando eu já havia editado a página de Mundo do jornal em que trabalho, um link colocado no Twitter fez eu mexer nas matérias de novo. O governo de Senegal informou que haviam encontrados destroços que poderiam ser do avião perdido.

Foi isso.

No Orkut, fui procurar umas comunidades sobre o acidente lá pelas 16 horas e não achei.

Usei outras ferramentas de busca, plataformas que utilizam sites variados, inclusive entrei no Bing para ver o que rolava.

Nos próximos dias vou ficar atento ao que os blogueiros que acompanho no meu Google Reader vão escrever sobre o acidente. Se escreverão algo sobre a cobertura feita pela internet. Porque afinal eu posso ter feito a busca de forma errada.