Hoje, numa emissora local, uma repórter fala sobre denúncia de entrega de medicamento feita pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia para um fulano bem enturmado de outra cidade. O tom da matéria era condenar tal atitude, já que muitos goianienses não conseguem comprar seus remédios nem pegar um de graça na SMS. Até aí tudo bem, mesmo com os clichês. Mas então eis que surge a repórter entrevistando o “povo” e detona essa:
“A senhora tem dinheiro sobrando para comprar remédio?”
Sobrando? E foi perguntar isso para uma senhora de mais de 50 anos, com cara bem de pobre. Nem precisava dizer para quê era o dinheiro. “Tem dinheiro sobrando aí? Então me empresta unzinho.”
Depois vem o apresentador do telejornal, fazendo aqueles comentários clássicos de apresentadores indignados e preocupados, e solta mais uma pérola:
“Causa estranheza o secretário não querer falar sobre o assunto.”
Estranheza seria o secretário tomar a iniciativa de esclarecer tudo de forma sincera, assumindo sua responsabilidade. Aí sim, seria algo fora do normal.
Do jeito que o apresentador falou, e pela forma como a matéria foi apresentada, ficou parecendo matéria direcionada.
