Todo mundo tem um lado brega. Não sou diferente. Sábado último fui ao show do Julio Iglesias e gostei. A acústica do Goiânia Arena é horrível, o equipamento de som parecia estar ruim também, é estranho ver um homem de 65 anos de idade se comportar como um tarado de 30 fazendo tipo de amante latino e as letras todas chichês. Mas foi uma baita sessão nostálgica o show para mim.
Afinal, me fez lembrar minha infância ao lado da minha tia-avó Nadir, morta em 1994 aos setenta e tantos anos de idade. Ela era apaixonada pelo cara. Tinha vários discos de vinil e vivia declarando seu amor incondicional a ele na minha frente e na da minha mãe. Eu adorava ela. Era a única parente próxima, além da minha mãe e da minha irmã, em Santos. Então era uma espécie de avó mesmo. Almoço de domingo, “reuniões” de família, presentes de natal, “parabéns para você”, doces, aquele carinho sem o peso da responsabilidade de uma mãe, tudo isso eu tinha lá.
Sentar ali naquela arquibancada dura e suja, com uma grade amarela atrapalhando um pouco a visão, sem entender muita coisa do que Iglesias dizia por causa da qualidade do som, na verdade eu não estava ali vendo um show dele, mas sim ouvindo um vinil talvez um pouco velho e riscado no sofá da sala enorme (quando a gente é criança tudo parece ser tão grande e fantástico) da minha tia-avó Nadir. Que ela descanse em paz.
