Posts Tagged ‘Jornalismo’

A pior 1ª página de todas (ainda sobre Michael Jackson)

Junho 29, 2009

Eu roubei a imagem do site do Alec Duarte:

capa_jj_michael_jackson

Como assim??? “Peter Pan”???? Ah, não. Falta total de timing. Prefiro mil vezes o convencional “Michael Jackson morre aos 50″.

O twitter “furou” a imprensa de novo…

Junho 27, 2009

Não tem jeito. Se ainda falta credibilidade às notícias veiculadas por blogues, microbloggings e outras redes sociais da internet, está evidente que elas estão aos poucos fazendo o que há algumas décadas a televisão fez com os jornais impressos e, mais recentemente, os sites noticiosos fizeram com a própria televisão.

Vejam o caso do Michael Jackson. Todo mundo já “tuiutava” sobre o ocorrido quando o site de celebridades TMZ confirmou a morte do astro pop. E o site, que deu o até agora “furo do ano”, é bastante conhecido por conseguir se adaptar rapidamente às novas tecnologias.

tmz01

O grande problema do TMZ é que é um site conhecido pelas fotos de papparazzi e pelo sensacionalismo, ou seja, a morte oficial do Michael Jackson veio minutos depois, quando a CNN confirmou com fontes próprias. Aí todos os meios de comunicação deram a notícia como verdadeira. Mas esta é outra discussão.

Acompanhando esse caso do Michael Jackson eu vi como a internet é um ambiente hipercompetitivo. Todo mundo querendo dar a notícia em primeira mão, numa velocidade que não dava para saber se podíamos confiar na veracidade da informação. No Twitter, todo mundo falando ao mesmo tempo (tanto que o site quase parou). No Google ficou impossível navegar. Teve uma matéria da CNN depois dizendo que a morte do MJ quase derrubou a internet.

No dia seguinte, veio – entre outras – a discussão que comentei no post anterior, sobre as capas dos jornais impressos.

Aqui no Brasil, passou meio despercebido, as o Twitter furou a imprensa tradicional mais uma vez. Agora com o anúncio da demissão do Vanderley Luxemburgo feito pelo próprio em sua página no Twitter e no seu blog. Era 0h44 de sábado, quando a notícia veio ao ar.

LUXEMBURGO

O Uol colocou a notícia na página principal pouco mais de 10 minutos depois, mas provavelmente porque o blog do técnico está inscrito dentro do portal. Os concorrentes demoraram horas até também noticiarem o fato. O Globo chegou a colocar a informação dentro da página de Esportes, às 1h15, mas até eu ir dormir, por volta das 2h30, não havia nada na página principal. Nos outros portais, nem notícia interna havia.

Ok. Tem a questão do horário. Cobrar agilidade de madrugada é sacanagem. Mas o fato é que a demissão já era comentada por muitos tuiteiros de plantão. Mais uma vez, a disseminação da notícia foi pela rede de microblogging.

Tem também a questão da checagem. Afinal hackers poderiam ter invadido o blog e o twitter e colocado o post com a informação falsa. Ou não? Já invadiram um site de fofocas e noticiaram a morte do Sílvio Santos recentemente.

O que aprendi disso tudo é que as redes sociais estão pressionando cada vez mais a imprensa tradicional. Mas a credibilidade ainda é um fator preponderante para a conquista do primeiro lugar no coração do público. “Ainda.”

E acho que a morte do MJ representa não só um marco para a TMZ, mas uma lição para que fiquemos mais atentos ao tipo de trabalho que o site tem feito para ter conseguido sair na frente.

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Mais sobre o assunto da cobertura da mídia no caso MJ:

- No blog Monitorando;

- No blog do Tiago Doria.

Como NÃO fazer fazer uma capa de jornal

Junho 27, 2009

De todas as primeiras páginas que eu vi nesta sexta-feira, e que abordaram a morte do Michael Jackson (é, alguns jornais no Oriente Médio e na Ásia não citaram nada, ou porque o MJ é rei do Pop Ocidental ou por causa do fuso horário mesmo), três edições me chamaram a atenção pelo nonsense:

A primeira, claro, foi a do jornal Meia Hora, do Rio de Janeiro:

26_manchetona

Tudo bem que a proposta do jornal é ser não só informal, mas bem apelativo mesmo. Mas acho que toda piada deve ter seu timing, ainda mais quando se trata de humor negro. Sem dizer que a escolha da foto foi uma das mais equivocadas de todas no mundo inteiro. Para se ter uma idéia, das edições que vi aqui, apenas um outro jornal escolheu essa foto para estampar a capa – o La Critica, do Panamá.

A outra capa foi a do jornal esportivo Lance:

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Ok. Quiseram fazer uma graça citando o MJ como o “Pelé da música” (uma comparação um tanto discutível, mas aceitável). O problema está no texto abaixo. O que a classificação da seleção norte-americana para a final da Copa das Confederações tem a ver com a morte do cara?

E a última capa que achei totalmente sem noção foi a do Diário de S.Paulo:

BRA^SP_DDSP

Tá, tem aquele lance de o impresso dar algo diferente da concorrência. Todos os telejornais de quinta-feira já haviam anunciado a morte do MJ. Mas manchetar que o cara devia US$ 400 milhões de dólares? Primeiro que a dívida não é confirmada. Depois que mesmo isso as emissoras de televisão já tinham dado. Aquela história no texto, de que ele foi encontrado “desmaiado” e morreu no hospital também é controversa. E para piorar aquela segunda chamada, sobre o brasileiro que foi atropelado pelo carro do astro pop, em 1996, e até hoje não recebeu indenização.

Só mais uma observação, como curiosidade: O DSP ainda oferece um poster do cantor “para os fãs”. Que fã que vai comprar um jornal detonando seu ídolo???

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Rolou durante a sexta-feira uma discussão sobre se os jornais impressos poderiam sair um pouco daquele lance de “Morre MJ aos 50” ou “Morre o Rei do Pop”.

Teve jornal que colocou “Coração para Michael Jackson”. Esse título é complicado por duas razões básicas: é impreciso e depois que tiraram o acento na reforma ortográfica pode dar a entender que o MJ precisa de um transplante ou então que o jornal quis dar um título bem “hello kitty”.

Acho que depende muito da estrutura do jornal. E da criatividade. Gostei da solução do Estado de Minas, que ofereceu algo a mais do que aquilo que todos deram. Pelo menos na capa. Chamando para uma análise do que representou o cantor para o mundo. Não li o jornal para saber se a propaganda foi ou não enganosa.

A maioria dos jornais brasileiros deu material de agência, cujo material estava bastante defasado em relação aos portais e sites noticiosos. Então quanto mais cedo o jornal teve de fechar a editoria, mais “velho” era o material. E aí, o título tem de ser mesmo “Morre Michael Jackson aos 50”.

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Mais uma observação: as 1ªs páginas dos jornais tupiniquins dão de goleada nas edições estrangeiras. Visualmente falando, os gringos – salvo as exceções de sempre – são muito pobres. E é curioso perceber como alguns jornais já estão mudando o perfil das capas dos jornais.

Quem quiser ver o que 807  jornais de 71 países publicaram na sexta-feira, 26 de junho, basta clicar aqui.

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Update às 16h08 de 27.06:

Li dois textos interessantes sobre as capas de sexta-feira:

- No blog do Alec Duarte;

- No blog da Luciana Moherdaui.

O jornalista precisa de diploma?

Junho 25, 2009

Uma vez ouvi um cara dizendo que só tem idéia fixa quem é maluco. Não me recordo quem era, mas devia, com certeza, ser algum político explicando alguma mudança drástica de posicionamento (tipo apoiar um ex-adversário envolvido em escândalos absurdos). Estou recordando esta frase para dizer que – depois de tudo que li a respeito da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) – já não sei dizer qual a melhor solução para o jornalismo tupiniquim.

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O que fazer agora?

Junho 19, 2009

Passado o impacto, o susto, o ressentimento, é hora de avaliar como vai ficar o jornalismo agora que qualquer pessoa pode se candidatar a uma vaga no mercado. Li vários artigos e reportagens repercutindo a decisão dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em suspender a obrigatoriedade do diploma de jornalismo e do registro no Ministério do Trabalho para o exercício da profissão, mas por enquanto achei poucas propostas para o que eu considero o verdadeiro problema nosso: o jornalismo está em crise e nossa credibilidade está em baixa. Ninguém pode garantir nada, nem que a decisão do STF será benéfica nem que trará mais prejuízos ainda. Existem bons argumentos para todas as vertentes desta discussão, mas pouquíssimos dados concretos.

Certeza mesmo eu tenho de algumas coisas:

1) Sem a obrigatoriedade do diploma, as faculdades de jornalismo picaretas não devem conseguir mais segurar aqueles estudantes que no primeiro ou segundo semestre começam a se frustrar com a baixa qualidade do curso; não sei se os outros cursos vão melhorar ou se vão pipocar cursos de especialização para profissionais de outras áreas interessados em ingressar numa Redação;

2) Um diploma não é sinônimo de qualidade profissional, muito menos de ética; se a obrigatoriedade caiu é por se tratar de um modelo falido que não atendia às necessidades dos empresários, das fontes e dos leitores;

3) Os empresários donos de meios de comunicação são os maiores interessados na desregulamentação do jornalismo. Por vários motivos. Um deles é que é bem mais fácil doutrinar quem não passou quatro anos sendo ideologicamente martelado por professores nem sempre preparados, embasados em teorias nem sempre atuais e condizentes com a realidade do mercado de trabalho e com as necessidades do público. É mais ou menos a mesma política de algumas empresas que não pegam profissionais que ficaram muito tempo em um mesmo emprego porque este é carregado de vícios. Não estou dizendo que os empresários estão necessariamente mal intencionados. Não é isso. Acho que é mais uma questão de pragmatismo.

4) Qualquer um pode ser jornalista. E isso significa que tanto bons como maus profissionais de outras áreas ou mesmo gente sem formação nenhuma pode ingressar em uma Redação ou desempenhar qualquer função jornalística. Vai depender do dono do meio de comunicação ou do empresário interessado em uma assessoria de comunicação. E existem tanto bons como maus empresários, gente interessada em um jornalismo de qualidade ou preocupada em arrancar dinheiro de governos, políticos e da elite financeira.

5) Acredito também que o fato de qualquer um poder ser jornalista nos fez perder um pouco a aura de que somos profissionais preparados para lidar com as informações, mais aptos a filtrar o que é de interesse ou não da população. Por mais que haja críticos do nosso trabalho, ainda é enorme o número de pessoas que abrem um jornal e, independente da qualidade editorial, acreditam no que estão lendo. Boa parte disso se deve ao fato que acreditam que os autores dos textos são pessoas que estudaram para trabalhar nisso. É uma mentira, claro. Mas não sei como vai ser a reação dos leitores agora. Nem sei se vai haver mesmo um boom de picaretas se dizendo jornalistas.

Ok.

Mas e agora?

Eu sou a favor de uma regulamentação. Não somos os Estados Unidos, nem a Espanha, nem mesmo a Argentina. Deve haver um mínimo de qualificação profissional do jornalista, que esteja acima da decisão do empresário dono de um meio de comunicação. Afinal, nem todos os patrões são como as famílias Mesquita, Civita, Marinho ou como o Otávio Frias Filho (não sei se o restante da família Frias está envolvida com o Grupo Folha). Nem todos os empresários estão preocupados com um mínimo de qualidade. Basta uma andada pelo interior do Brasil. Será que a família Sarney, que controla o Maranhão e o Amapá estão preocupados com isso, por exemplo? Não basta dizer que nos EUA é diferente e esquecer toda a nossa realidade.

Acredito que todos os argumentos apontados em blogues e artigos sejam válidos, pró ou contra regulamentação, favoráveis ou não á necessidade de um diploma ou de uma especialização. A questão é saber qual é o mais viável aqui no Brasil.

Vejo pelo menos dois caminhos a seguir:

1) Criar um grupo de discussão – não sei se o que existe no Ministério do Trabalho desde o final do ano passado abrange todas as partes envolvidas, mas se sim então pode ser este – e tentar sacar qual a do jornalismo brasileiro, quais as necessidades do nosso público e para onde podemos ir, promover um debate, chamar todos os jornalistas interessados (formados ou não em jornalismo) e, mesmo que não haja um consenso (duvido muito que vá haver um), a proposta que tiver mais força ser encaminhada para o Congresso Nacional com o intuito de que seja aprovada uma nova regulamentação para nossa profissão. (Claro que se isso acontecer e for aprovada uma nova regulamentação, não significa que seja a resposta necessária. Talvez haja tantos interesses por trás que acabe criando um novo modelo falido);

2) Outro é sacar por conta própria qual é a do jornalismo tupiniquim e, caso o profissional esteja realmente preocupado com esse lance de qualidade e ética, fazer algo para, dentro do esquema, melhorar nossa profissão. Isso sempre ocorreu. Várias idéias que surgiram dos anos 60 para cá se tornaram modelos de jornalismo. Atualmente, existem vários grupos discutindo muita coisa interessante, que está acessível – na maior parte – para todo mundo que costuma fuçar em sites e blogues, que participa de grupos de discussão online etc.

Três coisas que precisam ficar claras:

1) Ser jornalista não é só saber escrever textos para um jornal impresso. Foi o que deram a entender os ministros ao justificarem seus votos;

2) A decisão do STF marca o fim de um modelo que não funcionava mais. O jornalismo está em crise, está havendo uma sobrecarga enorme de informações, e a nossa credibilidade está cada vez mais perto do ralo.

3) Quem afinal define qual o caminho que o jornalismo brasileiro deve seguir: a) sindicatos e entidades associativas; b) escolas de jornalismo; c) profissionais da impressa (formados ou não em jornalismo); d) leitores; e) empresários donos de meios de comunicação; ou f) anunciantes e políticos?

E mais uma coisa que pouca gente abordou:

1) Até agora ninguém soube dizer como ficam os concursos públicos com vagas para jornalistas. Se para ser jornalista não é obrigado ter diploma nem ser registrado os órgãos públicos vão poder exigir alguma qualificação? Quais serão os requisitos para se candidatar a uma vaga de assessor de imprensa? Não estou aqui buscando um argumento para atacar a decisão do STF, mas apenas expondo uma dúvida. Lá na Delegacia Regional do Trabalho de Goiás ninguém sabe de nada ainda.

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Se bem que depois que eu vi isso no blog Contra a Clicagem Burra hoje, e se as faculdades de jornalismo aderissem a essa idéia, acho que faria mais uma vez o curso, só para sentar numa cadeira assim. Cliquem lá.

O diploma morreu, viva o jornalismo

Junho 18, 2009

É difícil avaliar o que vai acontecer com o jornalismo daqui para frente, com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de eliminar a obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão. Afinal, tudo isso vai passar pelo crivo dos donos dos meios de comunicação e pelas pessoas que sustentam financeiramente os órgãos de imprensa (não estou me referindo aos anunciantes nem aos leitores que compram espaço nos classificados).

Não sou nem contra nem a favor da obrigatoriedade do diploma. Defendo um curso básico antes de alguém ingressar na profissão: seja pela graduação, por uma especialização ou mesmo por um trainee como os oferecidos por Folha de São Paulo, Estadão, Globo e Grupo Abril. Mas o que me preocupa agora é ausência de uma regulamentação do jornalismo.

Afinal qualquer um pode hoje argumentar que faz jornalismo. Somos um país de 183,9 milhões de jornalistas. Não tenho medo de perder meu emprego para um “sem-diploma”, mas temo o que pode acontecer quando os “sem-diploma” começarem a fazer jornalismo. Afinal, o Brasil não é feito de Machados de Assis, Nelson Rodrigues e Clarice Lispector.

Vejo pontos positivos na decisão do STF:

1) Se os cursos de jornalismo quiserem se manter, vão ter de mudar radicalmente suas grades curriculares. Porque o argumento do diploma no final do curso já não serve como justificativa para ingressar em uma faculdade que não ensina nada de concreto. A completa ausência de qualidade na maioria esmagadora dos cursos foi uma das coisas que enfraqueceu muito o debate. Nem todas as mais de 400 faculdades vão conseguir se sustentar.

2) Ficou claro que os ministros do STF não conhecem nossa profissão, e, pior, muita gente leiga concordou com a decisão da Suprema Corte, como se isso fosse melhorar a qualidade dos meios de comunicação. Para mim, isso é mais uma prova de que nossa profissão está em séria crise (são vários os sinais emitidos recentemente, como por exemplo a repercussão do blog da Petrobras). Nossa credibilidade foi para o ralo. A decisão dos ministros pode servir como uma chacoalhada.

3) Foi mais uma prova de que nossa categoria é realmente desunida. Apenas seis sindicatos estiveram presentes durante o julgamento. Aposto que se fosse uma votação sobre o diploma de Direito, a OAB estaria em peso lá.

Esse discurso de que a obrigatoriedade do diploma fere a liberdade de expressão garantida na Constituição eu acho equivocado. Afinal, apesar de um jornal ser um espaço para debates, o jornalismo é – pelo menos acredito eu – uma técnica. E existe espaço para colaboradores, intelectuais, articulistas, leigos e quem mais quiser dar um pitaco em vários meios de comunicação – sejam impressos ou virtuais. Tem a internet, onde qualquer um pode criar um blog e escrever sobre o que quiser e ser mais respeitado e lido do que muitos jornais ditos sérios.

A minha pouca experiência na profissão – comecei a trabalhar como jornalista de fato em 2001 – mostra que há um pouco de verdade e um tanto de equívoco quando o ministro Gilmar Mendes aponta que jornalistas formados em jornalismo (hoje isso não é mais redundante) não agem com mais ética e responsabilidade ao tratar de um fato.

Acredito que os jornalistas formados em jornalismo tem mais noção de seus erros e, dependendo da consciência de cada um, se sentem mais culpados ou não. Mas o que pude perceber por aí é que jornalista nos enxergamos como empregados de um dono de jornal que normalmente não é jornalista (ou não era até ontem). E nós o obedecemos. E aí, entre o leitor e o dono do jornal, já ouvi milhares de justificativas e argumentos para o profissional ficar com o segundo. O diploma não garante que o jornalista vá seguir o manual do jornalismo ideal e desafiar o patrão quando este mandar fazer uma matéria com “um viés otimista do governador”.

Ainda sobre esse lance de responsabilidades, lembro de um jornal – acho que em Franca (SP) – onde a Redação foi dominada por advogados, pelo medo de processos e indenizações. E lá quem apita são eles, formados em Direito mas que hoje podem ser chamados de jornalistas.

Aqui em Goiás, tem um dono de um meio de comunicação que já expressou várias vezes o desejo de contratar profissionais de “todas as áreas de conhecimento” para escrever matérias jornalísticas “com conhecimento científico”.

O argumento de que a regulamentação do jornalismo é de 1969, no auge da ditadura, que foi uma forma de expulsar os intelectuais dos jornais, e tudo mais neste sentido, não é tão válido assim hoje porque todo mundo tem acesso ao jornal como colaborador. Depende do dono do jornal e não do diploma do empregado. E isso não exime a nossa profissão de uma regulamentação. O jornalismo pode sim ser prejudicial à sociedade, tanto quanto um médico irresponsável ou um advogado picareta. Tantos casos famosos por aí.

Quem já tem o diploma na mão, acho que não tem do que lamentar. Até fiz isso ontem à noite, mas agora vejo que o lance é correr para frente. Me especializar, estar sempre atento, estudando, acompanhando as novidades, lendo. Algo que já fazia, mas que ao entrar no “mundo virtual” percebi precisar aprofundar ainda mais.

E outra: a decisão do STF foi contra a obrigatoriedade do diploma. E não contra a validade do mesmo. Os cursos de graduação agora é que vão dizer se vale a pena ou não estudar jornalismo. Se alguém quer ser jornalista e existe um curso de jornalismo que oferece uma gama interessante de , porque essa pessoa vai escolher outro curso? Muita gente entrava no curso de jornalismo não por causa da obrigatoriedade do diploma, mas era essa necessidade – na minha opinião – que mantinha o estudante os quatro anos na sala de aula.

O presidente da ANJ disse que tudo vai continuar na mesma. Que os jornais, em sua maioria, vão continuar contratando gente com diploma de jornalista. Não sei até onde isso é verdade. Consigo enxergar, principalmente fora dos grandes centros, muitos empresários e políticos empurrando jovens parentes ou filhos de amigos para dentro de uma Redação. Seja por iniciativa da pessoa ou do dono de jornal.

Sei de uma coisa. Não existe um mundo ideal. E o Brasil não é nem os EUA nem a Europa. Os donos de jornais daqui – com algumas exceções – não pensam como os grandes empresários da imprensa mundial. Nem todos vão atrás de “gente qualificada”. Vão atrás do dinheiro e de gente que faça o dinheiro aparecer. Profissionais que façam o patrão conquistar a elite endinheirada e o público leitor. Melhor ainda se der para satisfazer também o ego e não só o bolso do patrão, criando um jornal com cara de jornal (mas não necessariamente com o conteúdo de um). Para ganhar dinheiro com um jornal não é preciso fazer jornalismo.

E mais: A internet ajuda em parte o cidadão a não ser enganado pelos meios de comunicação, já que ainda é uma minoria que acessa o mundo www e mesmo assim para usar email, orkut e msn. A quantidade de informações é gigante, as mentiras publicadas são desmentidas via concorrentes, tevês, sites e blogs, mas quem garante que o desmentido não é uma nova mentira.

Li no blog do Rogério Christofoletti (aliás, muito bom o blog, recomendo), que o Ministério do Trabalho criou um grupo no final do ano passado para trabalhar em uma nova regulamentação do jornalismo. Ainda segundo o blog, o projeto estaria em banho-maria. Acho que isso deveria ter ficado pronto antes da decisão do STF, mas agora é ir atrás disso e começar uma nova luta.

Ah, mas nos Estados Unidos o diploma não é obrigatório. Entretanto, há pesquisas apontando que as empresas jornalísticas americanas preferem contratar pessoas que saíram de escolas de jornalismo. Aqui no Brasil, além de não se exigir nem mais primeiro grau completo, as escolas de jornalismo são uma fiasqueira.

Mais do que nunca precisamos nos reafirmar. Transformações devem ocorrer. As redações vão sentir o impacto da decisão do STF. Talvez não de forma imediata. Mas jornalistas ainda são necessários. E agora acho que está mais do que na hora de mostrarmos isso. Senão a tendência é só piorar. Ao desregulamentar nossa profissão, os ministros não acabaram com o jornalismo, mas apenas escancaram algo que já estava evidente. Estamos em crise.

Para ler mais sobre isso:
Tem muita gente escrevendo muita coisa interessante sobre a decisão do STF e suas consequências.
- Rogério Christofoletti;
- Alec Duarte;
- César Valente;
- Alberto Dines;
- Marcelo Soares.

- Agnes Arato
- João Porto
- Sabine Righetti
- Laerte Braga;
- Sérgio Murilo de Andrade;
- Elias Machado;
- Túlio Vianna;
- André Forastieri;
- Jorge Rocha;
- Rafael Galvão;
- Sérgio Leo;
- Pedro Doria.

A caminho dos buscadores inteligentes

Junho 12, 2009

dailyperfect

Acessei hoje à tarde o Daily Perfect, site que promete notícias e tópicos personalizados baseando-se no nome da pessoa digitado. O Tiago Doria e o pessoal do Nieman Journalism Lab citaram o site nesta semana em seus respectivos blogues. O DP ainda está em beta, mas já é possível dar uma bisbilhotada lá. Pelo que entendi, o resultado varia conforme é a presença de seu nome na web. Se você não é citado em sites e nem faz muito uso de redes sociais, então as chances de aparecer algo são menores.

Coloquei lá “Márcio Leijoto” e apareceram algumas coisas. Mas não achei que tivesse muito a ver comigo. Primeiro que apareceu tudo em inglês. E pelos temas vi que eles se basearam muito no meu blog. Assuntos como a morte do David Carradine, a queda do avião da Air France e sobre o twitter ficaram em evidência, mas nada que eu há não soubesse.

Apareceram alguns tópicos estranhos, como “Law enforcement in Áustria”, “Military ranks of Brazil” e “13 Shocking Secrets You’ll Wish You Never Knew About Lemony Snicket”. Não entendi nada. Mas mesmo assim fui pesquisar sobre Lemony Snicket para saber o que é isso.

Dá para importar informações do seu leitor de feeds, como o Google Reader, para o Daily Perfect, e isso talvez ajude a filtrar melhor as notícias escolhidas.

Mesmo assim, para eu acessar um site desses precisaria oferecer algo melhor do que já encontro nos vários tipos de serviços oferecidos pelo Google e nos sites que acesso como freqüência.

De acordo com o Tiago Doria, o DP “rastreia outros sites onde você utiliza esse mesmo nome em seu perfil e agrega informações sobre as suas preferências”.

Como novidade é algo interessante e promissor. Não é difícil imaginar para um futuro próximo as pessoas lendo notícias com base neste tipo de pesquisa.

Cada vez mais têm surgido os “buscadores inteligentes”, como o Spezify, que se propõe a mostrar “resultados inspiradores”, ou o WolframAlpha. É uma forma de filtrar e melhorar o acesso a um cada vez maior volume de informações disponíveis na internet. “O buscador pensará por você” seria o mote destes sites.

O golpe (de marketing) do blog da Petrobras

Junho 10, 2009

Parece que a assessoria da Petrobras parou de vazar no blog da estatal as entrevistas feitas por jornalistas. Em seus últimos posts, os responsáveis pelo site têm se preocupado mais em reagir às críticas feitas por jornalistas da dita “mídia golpista e/ou corporativista”, incentivar seus comentaristas favoráveis e em soltar um release ou outro.

Ou seja, intencionalmente ou não, o lance com a Folha de São Paulo na semana passada, geradora de toda essa celeuma que invadiu blogues, noticiários e comentários das mais diversas mídias, se tornou um belo golpe de marketing. Afinal, em 8 dias já foram mais de 188 mil acessos e, segundo o próprio blog, mais de 1,7 mil comentários. Me pergunto se haveria tanta audiência assim caso a Petrobras não tivesse furado a reportagem feita pela Folha de São Paulo.

Afinal ninguém quer ler sobre o outro lado. A não ser que sejamos o outro lado ou amigo ou parente do outro lado. Ou se recebemos grana do outro lado. Se não, deixamos o outro lado de lado.

Foi genial a estratégia. Vaza uma reportagem de um dos principais jornais do país e também um dos que tem dado mais mancadas ultimamente (como o caso da falsa denúncia da Dilma Roussef), sabendo que isso repercurtiria, que muita gente crítica à FSP aplaudiriam, outros jornais comprariam a briga, blogueiros entrariam na discussão. Foi o que aconteceu: logo o assunto estava na tela de blogueiros muito acessados , entre eles o polêmico Reinaldo Azevedo, e outros que tem penetração nas novas mídias sociais, como o Idelber Avelar e a Ana Estela. Virou também assunto de rádio, de televisão, dos jornais impressos.

E o blog da Petrobras bombando e aproveitando para divulgar seus releases. Cutuca aqui, morde ali, solta um release acolá… Aproveita a propaganda para entrar no twitter, onde faz mais divulgação do blog. Todo mundo esperando uma nova briga, um novo ataque à dita imprensa golpista.

Estou alheio aos bastidores da CPI da Petrobras e da relação da imprensa (grande, corporativista, golpista, mafiosa, criminosa – escolha o adjetivo que lhe convir) com a estatal. Não conheço pessoalmente ninguém que tenha ajudado nesse marketing conscientemente ou não. Só tenho acesso aos blogs e aos jornais impressos ou em sua versão virtual. Por isso não posso falar sobre as verdadeiras intenções que motivaram cada um.

Aos poucos fui ficando muito desconfiado, isso sim, dos textos que lia por aí. Um exemplo, a carta da ABI defendendo a Petrobras. Entrei no site e vi que um dos banners patrocinadores da entidade é justamente o da Petrobras.

Acho que as melhores análises que li a respeito do ocorrido vieram do Pedro Doria, do Cláudio Weber Abramo e do Sérgio Leo.

Volto a afirmar aqui que acho o blog uma boa iniciativa para pressionar a imprensa a ouvir o “outro lado” e a não editorializar as respostas dos entrevistados, reprimindo os abusos e mentiras. E não acho que o furo jornalístico acabou, como gritaram alguns. Pelo contrário, vai sempre existir.
E não, não acredito que a Petrobras vá continuar com essa iniciativa de vazar entrevistas. Senão, para ser condizente com seus argumentos, teria de tornar públicas também as informações que passa com exclusividade a jornalistas por sua própria iniciativa ou entrevistas feitas pela imprensa internacional. E também não interessa à própria estatal estar indisposta permanentemente com os principais órgãos de imprensa do país.

Duas observações finais:
* Pouquíssimas pessoas levantaram a bola para outra discussão que surgiu no meio disso tudo: o elevado número de críticas feitas à imprensa, mostrando que nossa credibilidade está muito em baixa.
** É interessante ver como as pessoas – quando vão discutir algo – olham apenas os aspectos que lhe interessam e ignoram completamente outros que vão contra seus argumentos.

Existe pergunta em off?

Junho 8, 2009

O entrevistado pode divulgar as perguntas feitas por um repórter antes que a matéria seja veiculada?

Acho que essa é a pergunta da vez desde que a Petrobras criou um blog chamado Fatos e Dados e nele publicou as perguntas enviadas por email pela reportagem da Folha de São Paulo, assim como as respectivas respostas, antes que o texto fosse publicado no jornal. Tal atitude foi atacada não só pela Folha como por outros jornais, e o site acabou se tornando mais uma espécie de trincheira da Petrobras contra a imprensa.

Não quero aqui falar sobre os bastidores da cobertura da CPI da Petrobras e sobre a relação dos jornalistas com a estatal. Tampouco entrar no mérito das denúncias contra a estatal. Mas como jornalista acredito que a decisão da assessoria da Petrobras, ao divulgar as questões antes da reportagem ser publicada, é prejudicial tanto para o jornalismo como para as próprias fontes.

Não só pelo vazamento do material feito por um repórter, mas pelo modo como o blog expõe as perguntas feita por órgãos de imprensa, junto com as respostas, é claro o tom às vezes jocoso às vezes de confronto que a assessoria da estatal assume. De acordo com reportagem da Folha, o gerente de imprensa da Petrobras, Lúcio Pimentel, afirmou que a estatal continuará a divulgar e-mails de reportagens ainda em andamento. Disse ser uma “política de transparência”.

Sei também que é muito difícil de se defender quando um órgão de imprensa resolve atacar alguém. Sou jornalista, e sei um pouco como funciona isso tudo. Mesmo sabendo que existem meios de a pessoa que se sentir ofendida reclamar seus direitos, seria hipócrita se afirmando que eles são 100% eficazes. Não são. A imprensa, quando erra, pode ferrar a vida de alguém.

Mas vazar as perguntas e respostas antes da publicação da reportagem não é uma “prevenção” a qualquer edição mal feita (intencionalmente ou não), como explica o blog, e sim “sabotagem pura”, como disse o Reinaldo Azevedo.

Houve quem defendeu a manobra, como o Luis Nassif. Pedro Doria diz que nunca ouviu falar em sigilo de pergunta, mas acredita que quando assessor de imprensa faz o que a estatal fez, “dá tiro no pé”. No blog Novo em Folha, a Ana Estela afirma que não “há argumento razoável pra divulgar antes”. Sérgio Leo, indicado no blog da Ana, diz que se a estatal não concordar com a edição da reportagem, pode aí sim divulgar a íntegra das perguntas e respostas “DEPOIS da matéria publicada”.

Aliás, o Sérgio Leo foi bem preciso na seguinte afirmação:

A idéia de abrir um blogue, para reproduzir as respostas da empresa aos questionamentos da imprensa e contestar a abordagem adotada nas matérias dos jornais é excelente. Dá transparência e coibe abusos da midia. Mas publicar no blogue os pedidos de esclarecimentos feitos pelos jornalistas, antes mesmo que o jornal tenha chance de publicar as respostas, é uma esperteza idiota, um estímulo ao mau jornalismo,e não o contrário.”

O meu receio é se a decisão da Petrobras virar moda. Todos saíremos perdendo, jornalistas, entrevistados e leitores. Imagino três consequências:

1) O jornalista vai reduzir o tempo entre a entrevista com o entrevistado alvo de denúncia e a veiculação da reportagem;

2) Os jornais vão perder suas notícias exclusivas;

3) Jornalistas menos atentos a questões éticas deixarão para entrevistar o denunciado após a veiculação da reportagem.

Essas atitudes listadas acima já ocorrem mesmo sem a decisão da Petrobras. Quantas vezes já vi político ligando para jornalistas concorrentes ou jornais vendidos com informações que negam o que será publicado pelo jornalista que levantou uma acusação grave contra ele. Mesmo agindo sem má-fé já vi assessor divulgando release com matéria que estava sendo apurado por algum órgão de imprensa. Quantas denúncias vemos publicadas em jornalões e revistas nacionais sem que a “outra parte” seja ouvida?

Em vez de quebrar regras do bom jornalismo, a assessoria de imprensa da Petrobras poderia responder seriamente às perguntas. Se estiver certa, e o jornal foi sério, a reportagem pode até cair. Senão, publica no blog depois, pede direito de resposta, processa o jornal…

Não existe pergunta em off. Em teoria, divulgar as perguntas antes e socializar uma notícia antes de ela ser publicada não é ilegal e pode até fazer com que a denúncia chegue a um maior número de pessoas, já que outros órgãos de imprensa poderão ir atrás do fato e divulgar o assunto ao mesmo tempo. Mas todos sabemos que não é assim que funciona. O furo e a notícia exclusiva ainda fazem parte da essência do jornalismo.

Sem contar que a Petrobras faz no blog o que ela critica nos órgãos de imprensa: editar e editorializar os fatos.

 

Atualizando, às 11h do dia 8/6/2009:

Li hoje de manhã mais dois artigos interessantes sobre o caso: do Pedro Doria e do Idelber Avelar.

O Doria segue a linha já expressa antes, do tiro no pé dado pela assessoria de imprensa, e insinua que esse é um ato isolado de uma empresa de assessoria, mas alerta para um problema mais grave: a falta de credibilidade cada vez maior da imprensa.

O do Idelber defende a Petrobras e ataca os jornalões. Não concordo com ele 100%, muito menos com a idéia central do texto, de que a Petrobras está certa na atitude, mas reconheço que há muitas verdades no que ele disse.

O sumiço do Airbus da Air France pelo Twitter

Junho 2, 2009

Se no domingo sofri o impacto da já esperada ausência de Goiânia na lista da Fifa com o nome das cidades-sedes dos jogos da Copa de 2014, a minha segunda-feira for marcada, claro, pelo desaparecimento do avião da Air France no voo AF 447, que saiu do Rio de Janeiro (RJ) rumo a Paris.

A notícia me pegou enquanto eu estava dormindo. Explico: é que dormi com a televisão ligada e já por volta das 7 horas, com o Bom Dia Brasil passando na Globo e eu naquele estágio em que não se sabe se estamos lá ou cá, acabei sonhando alguma coisa relacionada ao avião.

Acordei amargo, mas já sabendo o que me esperava. Acompanhar o dia inteiro, pela internet, tudo o que rolava sobre o sumiço do Airbus francês. Com uma diferença, desta vez iria acompanhar pela primeira vez um fato de grandes proporções ocorrido no Brasil e com repercussão no mundo inteiro pelo Twitter.

Se a queda do avião da Gol, em 2006, e a explosão do avião da Tam, no ano seguinte, bombaram no Orkut, certeza que desta vez o assunto iria ganhar novas proporções no microblogging.

Ledo engano. Só as mesmas bobagens que eu lia naquelas comunidades do Orkut. Mas desta vez sem os links para ver os perfis das vítimas no site de relacionamento.

O que o Twitter deu em primeira mão? Pelo menos, o que eu vi foram apenas links para notícias nos principais portais ou algum jornal de Portugal e da França.

O twitter, pelo contrário, foi responsável pela maior bola fora na internet em relação ao acidente. Isso porque começaram a twittar que a dj paulista Lalai Santos foi para a França em um voo do Brasil na noite de domingo. Primeiro foi essa mensagem. Mas então um blogueiro com milhares de seguidores descobriu, twittou, e o lance ganhou proporções bem maiores. 

Pronto. Foi o suficiente para todo mundo perguntar onde estava @lalai. Como se isso não fosse suficiente para comover boa parte dos internautas, uma mensagem dela publicada por volta das 16 horas de domingo deu o ingrediente que faltava para a notícia ganhar ares transcendentais: “Indo pro aeroporto numa baita ressaca. Vou morrer no avião hoje.”

No final da manhã, descobriu-se que Lalai partiu de São Paulo e não do Rio, e chegou salva na França. No fim, ela acabou ganhando uns 600 seguidores no Twiiter e deu as entrevistas esperadas. Depois disso, não houve mais nada interessante no twitter.

Não. Ninguém de dentro do avião mandou uma mensagem pelo celular para sua página no twitter nem uma foto para o twipic. O Jornal de Notícias, de Portugal, afirmou que foram enviados SMS pouco antes do sumiço. Mas isso é celular. Já no Twitter, havia pouquíssimas mensagens de pessoas dizendo que conheciam alguma das vítimas.

À tarde, fiquei sabendo do profeta picareta Jucelino da Luz colocou em seu blog uma carta que ele jura ter escrito em 2007 falando sobre o acidente. Aquele esquema batido e fraudulento de colocar a carta na internet depois que o acidente acontece. Isso até eu sei fazer. Aqui explica como ele é picareta. Causou um certo barulho no Twiiter à tarde. Mas depois morreu o assunto.

Abri duas páginas do Twitterfall. Coloquei vários tags possíveis, como Air France, AF 447, Brazil, Brasil, Rio de Janeiro, Paris, Cabo Verde, Senegal, Cape Verde etc. Em um, dei preferência para os twits em português. No outro, selecionei todas as línguas. Usei outros aplicativos de pesquisa também. Sem resultados concretos.

O que pegou mesmo, de verdade, foram as piadas previsíveis relacionando o desaparecimento do Airbus ao seriado Lost. Me serviu de lição: certo tipo de humor negro não devemos nunca torná-los públicos. Deve ser foda você perder alguém querido e ler uma piada malfeita sobre essa perda feita por um desconhecido. Dá raiva. Nem vou linkar nenhuma aqui para não dar ibope a estas pessoas.

No final da noite, quando eu já havia editado a página de Mundo do jornal em que trabalho, um link colocado no Twitter fez eu mexer nas matérias de novo. O governo de Senegal informou que haviam encontrados destroços que poderiam ser do avião perdido.

Foi isso.

No Orkut, fui procurar umas comunidades sobre o acidente lá pelas 16 horas e não achei.

Usei outras ferramentas de busca, plataformas que utilizam sites variados, inclusive entrei no Bing para ver o que rolava.

Nos próximos dias vou ficar atento ao que os blogueiros que acompanho no meu Google Reader vão escrever sobre o acidente. Se escreverão algo sobre a cobertura feita pela internet. Porque afinal eu posso ter feito a busca de forma errada.