Um dia, quando meu filho estiver mais velho, vou contar uma história para ele refletir. Uma espécie de fábula, mas onde os personagens não são animais que falam, e, sim, um avião e uma árvore. Pensei nela hoje de manhã. Provalmente até lá, essa história estará bem mais elaborada. Dá até um conto infantil, acho. Por agora, segue apenas um rascunho meio conceitual do que quero narrar.
“Era uma vez um avião que gostava muito de voar. Ele ia para vários lugares, passeava bastante e conhecia muitas coisas legais. Um dia, fazendo uma de suas viagens de sempre, sem nenhuma novidade, nem nada importante para fazer, ele reparou em uma árvore muito bonita, grande, cheia de vida. Suas raízes eram grandes e profundas, iam lá no fundo da terra, deixando a árvore bem firme. Em volta da árvore, havia outras também bonitas, plantas diversas, flores e animais felizes com a água e os frutos que havia naquele lugar. Era algo bem bonito de se ver, bastante colorido. O avião passou “voando” e foi tão rápido que nem deu para ver tudo que havia lá embaixo de bonito e interessante. Por isso, ele voltou a passar lá outras vezes, mesmo que tivesse de desviar da sua rota original. O avião gostava de apreciar a grande árvore, e ver como ela era bonita e feliz.
Logo, de tanto admirar, começou a invejar e comparar as coisas boas de ser uma árvore com as coisas ruins de ser um avião. Pronto. Foi uma questão de tempo para começar a lamentar de ser um avião. Queria porque queria ser uma árvore, ter raízes fortes num lugar só e ali construir sua relação social. Passou a viajar menos, a voar menos com os amigos aviões, helicópteros e passarinhos. Ficava mais em seu hangar, olhando algumas árvores menores que havia por ali e dizendo para si que até elas, mesmo menores que a grande árvore, eram mais felizes que ele.
O tempo foi passando, e o avião começou a perceber que estava ficando meio enferrujado, sujo e até com teia de aranha… Um dia, cansado de não fazer nada, o avião resolveu voar de novo, passando pela árvore para ver como ela estava. Durante a viagem, o avião ficou pensando em tudo de bom que era ser uma árvore e em quão feliz aquela grande árvore estaria feliz naquele momento. Foi quando ele se aproximou de onde a árvore vivia que levou um susto.
Quase nada era como ele havia visto. A árvore ainda estava de pé, firme, mas em sua volta havia pouquíssimas árvores, quase nada de flores e outras plantas e os animais sumiram. Estava tão vazio ali que o avião viu um espaço grande o suficiente para pousar e parar ao lado da árvore. Queria conversar com ela.
Veio então nova surpresa. A árvore estava muito triste e disse que o sonho dela era ser um avião. Afinal, ser uma árvore também tinha seus poréns. Após um grande incêndio na floresta, muitas árvores perderam suas cores, os animais fugiram e ela e suas amigas não poderiam ir embora. “Feliz é você, avião. Que pode ir para onde quiser, quando quiser, tem uma bagagem cultural boa, conhece um monte de gente, tem muitos amigos. Eu estou presa aqui.” O avião contou então que também era infeliz porque queria ser uma árvore, ter raízes fortes em um lugar, viver ao lado de outras árvores e animais com quem poderia ser bastante amigo, já que todos se conheceriam bastante por causa de suas raízes numa mesma região. “Bobagem, avião, se você quiser, pode fazer um hangar onde você mais gostar, e ficar por ali.” Os dois ficaram conversando um tempão.
O avião então decidiu construir um hangar do lado da árvore, e eles se tornaram bons amigos. O avião, inclusive, trouxe vários novos amigos para a árvore conhecer, e ela apresentou suas amigas árvores para ele. E todos viveram felizes para sempre.
Moral da história: seria algo assim, não existe apenas um único caminho para ser feliz, por isso vc não precisa ser infeliz pelo que você é, e sim aproveitar suas características para ser uma pessoa feliz e amada.