Posts Tagged ‘Devaneios’

Discussões em um jornal às 19 horas

Dezembro 2, 2008

Discutir futebol aqui no jornal sempre rende boas discussões. Principalmente quando envolve o time do Vila Nova. O editor de esportes é vilanovense fanático e não aceita discutir nada sobre seu time. Quando passou no telejornal das 19 horas uma reportagem sobre a dispensa do atacante Túlio Maravilha, 39, artilheiro da segunda divisão do Brasileiro com 23 gols, comecei mais um embate com o editor. Só para relaxar, já que estávamos naquele tenso horário de fechamento.

Leijoto: O Vila Nova é burro demais, vai dispensar o artilheiro do campeonato.
Edivaldo: O cara tá velho demais, 39 anos, não joga mais nada.
Leijoto: Não joga, mas faz gol.
Edivaldo: Perdeu dois pênaltis que tiraram o Vila do acesso, um para o Paraná e outro para o Barueri.
Leijoto: É, mas se não fosse o Túlio, o Vila não seria nem o sexto lugar.
Edivaldo: Ah, não vou discutir com quem gosta de novela.
Leijoto: Quem gosta de novela é você, que fica aí vendo esse novelão do Vila tentando chegar na Série A.
Divino: Eu sei de uma coisa, quem sofre com isso é o torcedor, porque fica a mercê de uma diretoria que não conseguiu administrar o time de forma eficiente para conseguir o acesso e agora busca seus bodes expiatórios.
Edivaldo: Quem foi que ligou o microfone do Divino? Corta o microfone dele.
Divino: O Túlio parou de fazer gol depois que foi eleito.
Wesley: Túlio Maravilha, como eu gosto de você (uma versão da música de Jorge Ben).
Leijoto: Ficou no time só quem não atuou nos jogos, porque estes não dá para culpar.
Edivaldo: O Túlio ta velho e vai ser vereador. Não vai treinar nada. São três sessões por semana na Câmara. Como é que ele vai fazer?
Wesley: O Túlio não precisa treinar. Ele já sabe.
Edivaldo: Ah, volta pra sua igreja. Vai lá pagar o dízimo, entregar seu dinheiro, seu trouxa.
Wesley: O que a igreja tem a ver com a burrice do Vila Nova.
Edivaldo: Ah, vai lamber sabão.
Leijoto: Se o Vila Nova fosse bom, seria Setor, seria Residencial, não seria Vila.
Edivaldo: Ô Leijoto, acho que já começou sua novela.
Leijoto: O Túlio vai para o Atlético ano que vem e vai subir para a Série A.
Edivaldo: Se o Túlio é bom, leva pra casa. Você torce pro Santos, Leijoto. Fala sério.

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Diálogos improváveis

- É hoje, Zélia, que eu quero ficar horas a beijar a tua boca, meu amor.
- Mas, João Henrique, eu já gozei.

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Constatações

Todo mundo aqui em Goiânia se mobilizando para “reconstruir” Santa Catarina, e um monte de famílias em áreas de risco sofrendo sem água, energia ou comida.

Pesadelos versão 2.0

Novembro 29, 2008

Foi-se o tempo em que meus pesadelos mais assustadores envolviam situações em que eu era flagrado nu em algum local público. Na maioria das vezes, eu ficava sentado no meio-fio de alguma rua por aí, sendo observado pelas pessoas. Esse pesadelo era recorrente principalmente na fase pré-adolescente.

Faz uma semana que meu pesadelo atualizado envolve outro tipo de situação embaraçosa, uma versão mais atualizada:

Eu converso com alguém pelo Windows Live Messenger (o antigo MSN), mas não estou em minha casa, nem no meu computador. Nos meus novos pesadelos, estou pelado, sentado numa cadeira ao lado do computador usado pela pessoa. A casa desta pessoa está lotada, com os pais e uns três ou quatro irmãs e irmãos andando para todo lado, toda hora. E eu ali parado, sentado, sem poder fazer nada. Eu não faço nenhum movimento, como se isso me tornasse invisível diante deles. Só me mexo para digitar algo na mesa, enquanto a pessoa conversa comigo pelo MSN. O pior é que, nas partes que me lembro, a pessoa é obrigada a parar de conversar comigo por algum motivo qualquer e fico então sem fazer nada, sentado e pelado ali. Prestes a ser descoberto. Acordo com a sensação de que fui pego no flagra.

Fizeram um upgrade no meu cérebro, pelo menos na parte dos pesadelos.

Ou sou eu que preciso largar a internet de vez.

Quanto da vida se perde na espera

Novembro 27, 2008

Acordei com uma sensação diferente. Estranhei o silêncio. Sem sair da cama, olhei pela janela e vi as pessoas lá fora com seus olhares vazios. Desconfiado de que havia algo errado, liguei o rádio a tempo de escutar o locutor confirmando a notícia. Sem espanto. A verdade é que havia acabado. Peguei o jornal que o porteiro sempre deixa na porta do apartamento. Li, e confirmei. Era o fim mesmo. E desta vez, mesmo sabendo do que há de manipulação por trás de uma notícia, não havia do que duvidar. Na tv, o apresentador do telejornal matutino informou convicto, tratando do assunto com os verbos no passado. Após o banho, liguei para alguns conhecidos. Uns já sabiam. Outros ainda estavam dormindo, mas não ficaram surpresos. Ninguém questionou. Não era nenhuma novidade. Parecia haver uma combinação. Naquela manhã não havia canto de pássaros, nem luz do Sol. O tempo estava nublado e as nuvens avançavam pelo como se quisessem me sufocar. Me sentei na cama e coloquei a mão pelo lençol. Senti a ausência de todos os dias futuros. Dias ainda inteiros, longos e enfadonhos para serem vividos.