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O que eu vi sobre o acidente no Twitter 2

Junho 4, 2009

O acidente com o Airbus da Air France ocorreu provavelmente em menos de cinco horas após ter saído do Rio de Janeiro no voo AF 447, às 19 horas do dia 31 de junho. Além de ler as notícias nos portais Terra, UOL e Globo.com e nas agências Folhapress e EFE, tentei seguir o caso pelo Twitter, como já disse em um post anterior.

No quarto dia desta empreitada, posso dizer que houve poucas coisas boas para se dizer da cobertura “twitteira”. Por isso, começo o texto pelas exceções: comecei a seguir o @breakingnews e o @radiobandnewsfm, muito bons; foi através do @luiznassif que descobri um bom site sobre aviação, o The Aviation Herald (em inglês).

Agora, às pérolas:

Na segunda-feira, dia 1º, rolou muita piada sem graça fazendo referência ao seriado Lost (até então se falava em desaparecimento do Airbus), e também surgiu comentários sobre a carta do profeta picareta Jucelino da Luz, que colocou em seu blog – depois do acidente – um texto afirmando que havia previsto tudo, nos mínimos detalhes.

Na terça-feira, dia 2, já não havia tantas referências ao seriado Lost, mas os piadistas mais seguidos no Twitter começaram a fazer novas piadas, todas de humor negro. Também neste dia apareceu links para uma mensagem deixada por um rapaz no Orkut no dia 29 de maio onde ele disse ter sonhado com um acidente de um avião da Airbus no mar. Quando começaram a procurá-lo no Orkut, ele tirou a mensagem.

Ontem, dia 3, rolou uma briga pelo twitter entre dois blogueiros que disputavam a primazia na postagem de uma foto de um pedaço qualquer oceano, dizendo que ali era o local do acidente do voo. Também falaram um tanto da ambientalista que afirmou em entrevista a um site noticioso que o avião havia sido sugado por um buraco negro.

E hoje, logo pela manhã, começa a repercutir uma declaração no Twitter de uma ex-bbb feita logo pela manhã do dia 1º, quando começou a pipocar as notícias do acidente, onde ela afirma que acredita “em forças sobrenaturais, em física quântica, e pode ter sido abdulzido esse avião…pq não?não somos sozinhos nesse universo”.

Pois é. Esse é o twitter na cobertura da “maior” tragédia do ano (até o momento).

O sumiço do Airbus da Air France pelo Twitter

Junho 2, 2009

Se no domingo sofri o impacto da já esperada ausência de Goiânia na lista da Fifa com o nome das cidades-sedes dos jogos da Copa de 2014, a minha segunda-feira for marcada, claro, pelo desaparecimento do avião da Air France no voo AF 447, que saiu do Rio de Janeiro (RJ) rumo a Paris.

A notícia me pegou enquanto eu estava dormindo. Explico: é que dormi com a televisão ligada e já por volta das 7 horas, com o Bom Dia Brasil passando na Globo e eu naquele estágio em que não se sabe se estamos lá ou cá, acabei sonhando alguma coisa relacionada ao avião.

Acordei amargo, mas já sabendo o que me esperava. Acompanhar o dia inteiro, pela internet, tudo o que rolava sobre o sumiço do Airbus francês. Com uma diferença, desta vez iria acompanhar pela primeira vez um fato de grandes proporções ocorrido no Brasil e com repercussão no mundo inteiro pelo Twitter.

Se a queda do avião da Gol, em 2006, e a explosão do avião da Tam, no ano seguinte, bombaram no Orkut, certeza que desta vez o assunto iria ganhar novas proporções no microblogging.

Ledo engano. Só as mesmas bobagens que eu lia naquelas comunidades do Orkut. Mas desta vez sem os links para ver os perfis das vítimas no site de relacionamento.

O que o Twitter deu em primeira mão? Pelo menos, o que eu vi foram apenas links para notícias nos principais portais ou algum jornal de Portugal e da França.

O twitter, pelo contrário, foi responsável pela maior bola fora na internet em relação ao acidente. Isso porque começaram a twittar que a dj paulista Lalai Santos foi para a França em um voo do Brasil na noite de domingo. Primeiro foi essa mensagem. Mas então um blogueiro com milhares de seguidores descobriu, twittou, e o lance ganhou proporções bem maiores. 

Pronto. Foi o suficiente para todo mundo perguntar onde estava @lalai. Como se isso não fosse suficiente para comover boa parte dos internautas, uma mensagem dela publicada por volta das 16 horas de domingo deu o ingrediente que faltava para a notícia ganhar ares transcendentais: “Indo pro aeroporto numa baita ressaca. Vou morrer no avião hoje.”

No final da manhã, descobriu-se que Lalai partiu de São Paulo e não do Rio, e chegou salva na França. No fim, ela acabou ganhando uns 600 seguidores no Twiiter e deu as entrevistas esperadas. Depois disso, não houve mais nada interessante no twitter.

Não. Ninguém de dentro do avião mandou uma mensagem pelo celular para sua página no twitter nem uma foto para o twipic. O Jornal de Notícias, de Portugal, afirmou que foram enviados SMS pouco antes do sumiço. Mas isso é celular. Já no Twitter, havia pouquíssimas mensagens de pessoas dizendo que conheciam alguma das vítimas.

À tarde, fiquei sabendo do profeta picareta Jucelino da Luz colocou em seu blog uma carta que ele jura ter escrito em 2007 falando sobre o acidente. Aquele esquema batido e fraudulento de colocar a carta na internet depois que o acidente acontece. Isso até eu sei fazer. Aqui explica como ele é picareta. Causou um certo barulho no Twiiter à tarde. Mas depois morreu o assunto.

Abri duas páginas do Twitterfall. Coloquei vários tags possíveis, como Air France, AF 447, Brazil, Brasil, Rio de Janeiro, Paris, Cabo Verde, Senegal, Cape Verde etc. Em um, dei preferência para os twits em português. No outro, selecionei todas as línguas. Usei outros aplicativos de pesquisa também. Sem resultados concretos.

O que pegou mesmo, de verdade, foram as piadas previsíveis relacionando o desaparecimento do Airbus ao seriado Lost. Me serviu de lição: certo tipo de humor negro não devemos nunca torná-los públicos. Deve ser foda você perder alguém querido e ler uma piada malfeita sobre essa perda feita por um desconhecido. Dá raiva. Nem vou linkar nenhuma aqui para não dar ibope a estas pessoas.

No final da noite, quando eu já havia editado a página de Mundo do jornal em que trabalho, um link colocado no Twitter fez eu mexer nas matérias de novo. O governo de Senegal informou que haviam encontrados destroços que poderiam ser do avião perdido.

Foi isso.

No Orkut, fui procurar umas comunidades sobre o acidente lá pelas 16 horas e não achei.

Usei outras ferramentas de busca, plataformas que utilizam sites variados, inclusive entrei no Bing para ver o que rolava.

Nos próximos dias vou ficar atento ao que os blogueiros que acompanho no meu Google Reader vão escrever sobre o acidente. Se escreverão algo sobre a cobertura feita pela internet. Porque afinal eu posso ter feito a busca de forma errada.