Não tem jeito. Se ainda falta credibilidade às notícias veiculadas por blogues, microbloggings e outras redes sociais da internet, está evidente que elas estão aos poucos fazendo o que há algumas décadas a televisão fez com os jornais impressos e, mais recentemente, os sites noticiosos fizeram com a própria televisão.
Vejam o caso do Michael Jackson. Todo mundo já “tuiutava” sobre o ocorrido quando o site de celebridades TMZ confirmou a morte do astro pop. E o site, que deu o até agora “furo do ano”, é bastante conhecido por conseguir se adaptar rapidamente às novas tecnologias.

O grande problema do TMZ é que é um site conhecido pelas fotos de papparazzi e pelo sensacionalismo, ou seja, a morte oficial do Michael Jackson veio minutos depois, quando a CNN confirmou com fontes próprias. Aí todos os meios de comunicação deram a notícia como verdadeira. Mas esta é outra discussão.
Acompanhando esse caso do Michael Jackson eu vi como a internet é um ambiente hipercompetitivo. Todo mundo querendo dar a notícia em primeira mão, numa velocidade que não dava para saber se podíamos confiar na veracidade da informação. No Twitter, todo mundo falando ao mesmo tempo (tanto que o site quase parou). No Google ficou impossível navegar. Teve uma matéria da CNN depois dizendo que a morte do MJ quase derrubou a internet.
No dia seguinte, veio – entre outras – a discussão que comentei no post anterior, sobre as capas dos jornais impressos.
Aqui no Brasil, passou meio despercebido, as o Twitter furou a imprensa tradicional mais uma vez. Agora com o anúncio da demissão do Vanderley Luxemburgo feito pelo próprio em sua página no Twitter e no seu blog. Era 0h44 de sábado, quando a notícia veio ao ar.

O Uol colocou a notícia na página principal pouco mais de 10 minutos depois, mas provavelmente porque o blog do técnico está inscrito dentro do portal. Os concorrentes demoraram horas até também noticiarem o fato. O Globo chegou a colocar a informação dentro da página de Esportes, às 1h15, mas até eu ir dormir, por volta das 2h30, não havia nada na página principal. Nos outros portais, nem notícia interna havia.
Ok. Tem a questão do horário. Cobrar agilidade de madrugada é sacanagem. Mas o fato é que a demissão já era comentada por muitos tuiteiros de plantão. Mais uma vez, a disseminação da notícia foi pela rede de microblogging.
Tem também a questão da checagem. Afinal hackers poderiam ter invadido o blog e o twitter e colocado o post com a informação falsa. Ou não? Já invadiram um site de fofocas e noticiaram a morte do Sílvio Santos recentemente.
O que aprendi disso tudo é que as redes sociais estão pressionando cada vez mais a imprensa tradicional. Mas a credibilidade ainda é um fator preponderante para a conquista do primeiro lugar no coração do público. “Ainda.”
E acho que a morte do MJ representa não só um marco para a TMZ, mas uma lição para que fiquemos mais atentos ao tipo de trabalho que o site tem feito para ter conseguido sair na frente.
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Mais sobre o assunto da cobertura da mídia no caso MJ:
- No blog Monitorando;
- No blog do Tiago Doria.
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