Goiânia não vai ser uma das cidades-sede dos jogos da Copa do Mundo de 2014. É o que dizem os jornais e blogues nesta sexta-feira. Na verdade, com exceção dos jornais daqui que ainda apostavam meio forçosamente numa vitória goianiense, não havia visto nenhum outro órgão da imprensa nacional listar Goiânia entre as 12 escolhidas.
Mas afinal, onde erramos?
Sinceramente, acho que não foi culpa nossa. Afinal não havia como competir com São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e Brasília. E nisso já são sete cidades. Fortaleza, Recife e Natal são cidades com um baita potencial turístico. Os gringos lotam estas capitais independente de mega-eventos, então imaginem o que ia dar de gente nestes lugares havendo os jogos da Copa? Sem contar as reportagens clichês, por exemplo, se os holadenses conseguirem se classificar e seu grupo for jogar em Recife, ein? Cuiabá e Manaus ganharam graças àquele lance do Governo Federal de querer jogos no Pantanal e na Floresta Amazônica. Campo Grande perdeu para Cuiabá. Belém e Rio Branco perderam para Manaus.
Restou Florianópolis e nós, Goiânia. O curioso é que, lendo as reportagens sobre as cidades escolhidas – que pipocaram após a notícia que saiu na coluna do jornalista Ancelmo Góis -, há raríssimas citações de Goiânia. Nem a coluna do Ancelmo nos citou, quando falou das derrotadas. Disse só que a última vaga ficou entre Natal e Florianópolis, mas que a primeira levou por questões “políticas e logísticas”.
Critérios técnicos? Quais? O que é considerado técnico? Aeroporto bom?Ricardo Teixeira uma vez teria dito que nenhum aeroporto no Brasil prestava. Localização geográfica? Goiânia fica mais perto de Brasília e menos perto do fim do mundo que é Cuiabá. Rede Hoteleira e transporte?
Afinal, Goiânia esteve mesmo na disputa? Com quem realmente competimos?
Se Goiânia tinha alguma chance concreta, então acho que é uma boa oportunidade para termos uma noção do quão influente podem ser nossos políticos. Inclusive, o atual e o futuro governador de Goiás, já que todos os ocupam algum papel que poderia ser atuante. Alcides Rodrigues (PP) governa o Estado. Marconi Perillo (PSDB) é senador. Iris Rezende (PMDB), o prefeito. Henrique Meirelles (que tem sido um nome muito cortejado para se candidatar à cadeira no Palácio Pedro Ludovico, e pode entrar no PP) é o presidente do Banco Central. Barbosa Neto (PSB), que foi candidato ao governo em 2006, comandou o comitê organizador da candidatura de Goiânia à Copa. Não ficou ninguém de fora.
O que a Copa do Mundo tem a ver com política? Bem, muitos jornais dizem que a escolha de Cuiabá para sediar alguns jogos se deve a influência do governador Blairo Maggi (PR). E mesmo aqueles governadores e prefeitos de locais onde já sabia que haveria jogos estavam presentes a encontros com o Ricardo Teixeira, presidente da CBF, ou no noticiário nacional fazendo um lobbyzinho. Dizem que Natal trabalhou pesado nos últimos dias e que foi isso que a garantiu na Copa.
Influência econômica? Nós tínhamos o presidente do Banco Central. E se não me engano o Itaú – que patrocina a seleção – dava um suporte financeiro ao nosso comitê organizador. Li em algum lugar, acho que na Folhapress, que Manaus pediu ajuda à Coca-Cola e à Sony para pressionar a Fifa. Mas a verdade é que há tantos boatos por aí que não rola nem especular sobre isso.
Dizem que Goiânia nunca teve chance. Sinceramente não sei. Acho que argumentos técnicos tínhamos bons. Pelo menos para competir com Cuiabá. Quero ver o número de turistas que vão descer para o Pantanal nos dias de intervalos entre os jogos.
Espero que no próximo domingo, ao divulgar o nome das 12 cidades escolhidas, a Fifa também disponibilize todos os projetos das 17 capitais. Assim podemos nós mesmo descobrir o quão técnica foi a escolha.