Mendingando amor

Janeiro 18, 2009

Ajuda eu. Colabore. Dê de alimentar a esse pobre e fraco coração que precisa continuar batendo para sustentar uma família de músculos, órgãos, pele e ossos. Eu podia estar roubando, eu podia estar matando, mas eu estou aqui pedindo com toda educação um pouco de atenção. Não quero muito, só o que a moça achar que pode me dar. Eu não sou vagabundo não, moça. Sou trabalhador. Eu vendo poesia. Se a moça quiser, eu faço uma agora. “Abraço, se não for amizade. Beijo, só se for de verdade. Não, não vou beber de saudade. Não, não quero amor de caridade.” Se eu pudesse, estaria lhe dando todo o amor que merece, mas se estou aqui, pedindo, é por necessidade. Eu fui roubado, fui furtado. Sem eu perceber, me levaram todos os sentimentos bons que eu tinha, me deixaram aqui sem proteção nenhuma para a angústia da solidão. Só quem sabe o quanto dói um amor ausente, entende o que é a humilhação de estar aqui esmolando um pouco de seu carinho. Ajuda eu e Deus há de ajudar a moça a nunca passar por isso. Se a moça não puder contribuir, desde já quero deixar registrado meu muito obrigado pelo tempo disperdiçado. Deus há de lhe abençoar.

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