“E como eu te quero tanto bem”

Dezembro 8, 2008

Jorge, o porteiro do prédio, me disse que aquele é o quinto rapaz que passa a noite no 502 em menos de três meses. Tudo moleque. Aposto que eles não dão conta de você, avião. Só não entendi porque o Jorge não quis me dizer o que você fica conversando com ele antes de sair ao trabalho. Será que falaram de mim? Sobre aquele dia que quase a beijei no elevador? Será que você perguntou mais detalhes sobre quem é aquele homem com nome de amante latino que mora no andar de cima? Sou eu, claro, neném. O Jorge não sabe de nada, coitado. É só um infeliz que fica na entrada do prédio. Deixa que te conto tudo que você quiser saber. Aquele dia no elevador, se lembra? Você estava tão facinha, era só pegar. Você tava para aceitar o convite. Meus filhos iam para casa da mãe deles naquela noite. Mas a desgraçada da Tereza, do 803, que não tem o que fazer o dia inteiro, resolveu passear no elevador. Filha da puta desgraçada. Ela entrou bem na hora que você, com esta boca, este sorriso… Você ia dizer sim, né, neném? Ainda tentei interfonar no seu apê mais tarde. Você estava acordada, vendo o Jô Onze e Meia, escutei o gordo atrás da porta, porque não atendeu? Eu estava sozinho em casa. Era só subir um lance de escadas. Insisti e nada.
Tudo bem. Semana que vem, meus filhos entram de férias e vão passar uns dias na casa da ex. Aí ninguém nos segura.

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