Sempre fui um cara legal. Levei-a ao cinema. Dei flores. E bombons. Dos mais caros. Ficou muito feliz. Mas aposto que não tem a mínima noção de quanto custou tudo isso. E os restaurantes de luxo? E os passeios? Ela acha é fácil conseguir os melhores lugares nas boates e shows? Gastei gasolina um monte. Deixava ela dar umas voltas no carro do papai. Carro de luxo. Bem mais caro que o meu. Ela dizia não ligar para dinheiro, mas eu sempre lhe dei presentes dos mais valiosos. Levei-a nas festas da minha família. E a minha família é “a” família. Ela saiu até em coluna social por minha causa. E agora? Ela chega e reclama que fico na sua cola, que não desgrudo, que sou pegajoso, que precisa de um tempo. É claro que não aceitei. O que será que ela queria mais de mim? Tentei me abrir, ser mais sincero. Na hora em que o coração apertava, a procurava para conversar. Ela sempre se esquivava. “É muito tarde, preciso dormir para acordar cedo…” ou “Você está me impedindo de andar na rua…”
Sempre a mesma ladainha. Ela quer um tempo? Tempo é dinheiro. Eu compro o tempo que ela quiser. Quanto ela quer para ficar comigo?
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Tags: Ficção

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