Arquivo para Dezembro, 2008

Aviso aos navegantes (se houver)

Dezembro 11, 2008

Bem, estou saindo de férias.
Primeira viagem com meu filho.
Os melhores dias da minha vida, sem dúvida.
Posso dizer que meu 2009 começa a partir deste sábado, dia 13 de dezembro.
Só devo colocar coisas aqui para valer a partir de 28 de dezembro, novamente.
Até lá, deixo algo de umas bandas que tenho escutado e, confesso, pelas quais estou viciado recentemente.
Afinal, do que é feito um homem, sem seus vícios.
Abraço, feliz natal e um fim de ano com todas as pontas sendo amarradas.

Peixe:Avião:

Amanda Palmer:

Dresden Dolls:

Conversa ao telefone

Dezembro 9, 2008

A Mãe pede para eu telefonar para o Pai e eu ligo. A Vó atende e eu digo que quero falar com o Pai. Ela diz que o Pai não quer falar com a Mãe porque ele tem uma vida agora e não tem que falar mais com a Mãe. Nunca sei como a Vó sabe que eu vou passar o telefone para a Mãe quando o Pai atender. Mesmo assim eu peço de novo para falar com o Pai e ela, reclamando muito, chama ele sem nem perguntar como eu estou de saúde ou se estou com saudades, nem se estou indo para a Igreja. O Pai atende e nem falo com ele porque a Mãe pega o telefone e começa a reclamar que precisa de dinheiro para pagar as contas de casa, que a Filha deles, que também é minha Irmã, está doente, que sempre foi doente e precisa de dinheiro para tratamento, que se não fosse por isso nem ligava para ele. Ela pede para eu ir na banca, mas sem me afastar muito dela. Eu sei que a Mãe quer falar palavrão para o Pai, mas finjo que não sei e vou para a banca ver revista em quadrinhos. Sei que é só por cinco minutos. Porque a Mãe não gosta de falar palavrão nem para o Pai, então eu volto para ouvir o resto da conversa. A Mãe está chorando porque não consegue trabalho e a situação está difícil e a gente tá passando fome. Eu digo que é verdade, que hoje já são quase três da tarde e a gente só comeu uma banana e um pão seco, mas o Pai não pode ouvir e a Mãe percebe que estou do lado dela e enxuga as lágrimas que é para eu não ver que ela está chorando. Mas eu sei. Como também sei que o Pai disse que atrasou o salário dele, o que é mentira, mas ele diz com tanta certeza que faz a Mãe chorar de raiva. E ele diz que vai pedir dinheiro para uns amigos, que vai passar vergonha por isso, o que também é mentira, mas ele diz isso que é para a Mãe parar de pedir dinheiro. Ele diz que vai mandar amanhã, mas só manda dois dias depois. Eu olho o tênis furado e descubro uma trilha de formigas andando até uma árvore e vou brincar com elas. A Mãe me chama antes que eu jogue a primeira formiga da árvore para o chão, para ver ela caindo. O Pai quer falar comigo, ela diz. Eu não quero falar com ele. Mas ela insiste, é seu pai, fala com ele, coitado. Não entendo como a Mãe pode ter pena do Pai, falar que ele é coitado. Atendo o telefone e digo oi, pai. Com o “p” minúsculo mesmo porque eu estava triste. Oi, Filho, tá com saudade? Eu digo que sim e falo que é para ele mandar dinheiro porque a gente tá com fome. Ele diz que vai mandar, e que não mandou ainda é porque está sem dinheiro. Eu digo que a gente comeu só banana e pão hoje e pergunto o que ele comeu. Ele diz que tá com saudade de mim e eu pergunto se ele tá com saudade da Irmã também. Ele diz que sim. Eu começo a chorar no telefone porque eu também estou com saudade do Pai. Ele diz que é para não chorar, porque homem não chora. Eu digo que ainda sou criança e que posso chorar. Ele não fala nada. Ele pergunta como estou na escola e eu digo que estou indo bem, que ainda é setembro mas já passei de ano. E que na escola todo mundo tira sarro de mim por causa da cabeça grande. Ele diz que é para eu não ligar porque cabeça grande é sinal de inteligência e que ele tem bastante orgulho de mim porque sabe que eu vou ser arquiteto quando ficar grande. Eu concordo com ele e pergunto quando ele vem para cá. Ele diz que não sabe. A Mãe pede para falar com ele mais uma vez. Eu queria falar mais com o Pai, agora que já estamos falando mesmo. Mas a Mãe pega o telefone e diz que está na hora de desligar porque é a Mãe do meu Pai (minha Vó) que vai pagar a conta do telefone. A Mãe fala para o Pai que ficava muito sem graça de ligar a cobrar para pedir dinheiro e ouvir o que não precisa da Vó. E diz tchau. Eu pego na mão da Mãe e peço para a gente passar mais uma vez na banca para ver uma revista nova que chegou hoje. Ela diz que não tem dinheiro para comprar. Eu sei mãe, é só para olhar, digo para ela. Vamos embora que sua irmã está esperando a gente lá na escolinha dela, estamos atrasados, ela diz. E eu olho o telefone mais uma vez e lembro da Vó falando que meu pai tinha outra vida agora. Não entendi o que ela disse. Mas não pergunto nada paraa Mãe porque sei que ela vai ficar triste.

“Aonde for não quero dor”

Dezembro 8, 2008

Aquela maldita desgraçada. Nunca fiz nada contra ela e agora estou aqui pagando esse mico filho da puta. O delegado não sabe o que é amar uma pessoa e não ser correspondido. O idiota não entende de amor. Nunca sentiu aquela paixão fulminante que aperta o coração da gente e faz doer cada centímetro cúbico de músculo. Uma mão invisível que tampa parte da vista e centraliza tudo numa só coisa: ela. Eu a amei desde aquele dia no shopping. Ela estava linda. Cabelo loiro curto, sobrancelhas suaves, lábios carnudos, magra e com os peitos durinhos que cabem nas minhas mãos. Do jeito que eu gosto. E ela sorriu para mim. Sei que sorriu. E foi para mim. Um sorriso tão doce. Deve ser uma moça bem-humorada. E não há nada melhor que uma linda garota com bom humor. Só que eu não podia chegar nela ali no shopping. Carregando compras de supermercado. Fui atrás dela. E depois de muito trabalho descobri endereço, telefone, com quem mora, que academia freqüenta e o que faz fora do horário de trabalho. Fiquei de campana em frente ao seu prédio por horas. Tentei ser o mais discreto possível. Tudo para estar no momento certo de abordá-la. Só que nunca aparecia a hora certa. Sempre tinha um empecilho. Tinha de ser perfeito. Ela merecia isso. Ela era tudo para mim. Confesso que fiquei muito nervoso e que posso tê-la assustado. Mas os telefonemas eram necessários. Ela precisava saber. Precisava entender. Agora isso. O delegado fica me ameaçando. Diz que não quer saber mais de eu ficar atrás dela. Que não posso nem pensar nela. Ah, delegado, tu não sabe o que é amor. A polícia não pode prender meus sentimentos. E minha mãe veio comigo aqui na delegacia. Ficou assustada quando os policiais foram lá em casa. Os vizinhos ficaram olhando na calçada.
“O que meu filho fez, doutor delegado?”
“Ele fica ameaçando moças por aí, senhora.”
Eu? Ameaçando? Amar sempre foi arriscado, delegado. Fiquei com raiva. Vergonha. Que humilhação. Mas tudo bem. Eu sei que sempre vou amar essa garota.

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“E como eu te quero tanto bem”

Dezembro 8, 2008

Jorge, o porteiro do prédio, me disse que aquele é o quinto rapaz que passa a noite no 502 em menos de três meses. Tudo moleque. Aposto que eles não dão conta de você, avião. Só não entendi porque o Jorge não quis me dizer o que você fica conversando com ele antes de sair ao trabalho. Será que falaram de mim? Sobre aquele dia que quase a beijei no elevador? Será que você perguntou mais detalhes sobre quem é aquele homem com nome de amante latino que mora no andar de cima? Sou eu, claro, neném. O Jorge não sabe de nada, coitado. É só um infeliz que fica na entrada do prédio. Deixa que te conto tudo que você quiser saber. Aquele dia no elevador, se lembra? Você estava tão facinha, era só pegar. Você tava para aceitar o convite. Meus filhos iam para casa da mãe deles naquela noite. Mas a desgraçada da Tereza, do 803, que não tem o que fazer o dia inteiro, resolveu passear no elevador. Filha da puta desgraçada. Ela entrou bem na hora que você, com esta boca, este sorriso… Você ia dizer sim, né, neném? Ainda tentei interfonar no seu apê mais tarde. Você estava acordada, vendo o Jô Onze e Meia, escutei o gordo atrás da porta, porque não atendeu? Eu estava sozinho em casa. Era só subir um lance de escadas. Insisti e nada.
Tudo bem. Semana que vem, meus filhos entram de férias e vão passar uns dias na casa da ex. Aí ninguém nos segura.

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Dezembro 7, 2008

Sempre fui um cara legal. Levei-a ao cinema. Dei flores. E bombons. Dos mais caros. Ficou muito feliz. Mas aposto que não tem a mínima noção de quanto custou tudo isso. E os restaurantes de luxo? E os passeios? Ela acha é fácil conseguir os melhores lugares nas boates e shows? Gastei gasolina um monte. Deixava ela dar umas voltas no carro do papai. Carro de luxo. Bem mais caro que o meu. Ela dizia não ligar para dinheiro, mas eu sempre lhe dei presentes dos mais valiosos. Levei-a nas festas da minha família. E a minha família é “a” família. Ela saiu até em coluna social por minha causa. E agora? Ela chega e reclama que fico na sua cola, que não desgrudo, que sou pegajoso, que precisa de um tempo. É claro que não aceitei. O que será que ela queria mais de mim? Tentei me abrir, ser mais sincero. Na hora em que o coração apertava, a procurava para conversar. Ela sempre se esquivava. “É muito tarde, preciso dormir para acordar cedo…” ou “Você está me impedindo de andar na rua…”
Sempre a mesma ladainha. Ela quer um tempo? Tempo é dinheiro. Eu compro o tempo que ela quiser. Quanto ela quer para ficar comigo?

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Dezembro 6, 2008

Ela está atrasada. Merda. Parece que vai chover. O que será que aconteceu com ela? Estou sentado aqui no bar, mas ainda não bebi nada. Vou pedir alguma coisa lá dentro. Não posso ficar muito tempo do lado de fora. Vai chover. Ou espero a menina passar para convidá-la para um drinque? E um espetinho. Se ela estiver com fome. Desta vez eu chego junto. Sei que tenho alguma chance. Mesmo ela tendo a idade da minha segunda filha, a do meio, uns 24 anos. Eu tenho 50 e poucos, mas estou em forma. Não sou qualquer um. Fui jogador de futebol, o melhor volante do meu tempo aqui na cidade. Só não fui adiante na carreira porque era melhor ainda como advogado. Em forma e com papo. Elas gostam. Hoje estou parado. Mas ainda tenho muita energia. Deixa essa menina linda passar aqui que vou mostrar o que a experiência faz com o homem. Ela não vai resistir. Ela deve gostar de homens mais velhos. Todo dia ela me encara quando passa por mim. Seja aqui no bar do Elias, seja lá no banco da praça. Todo santo dia. Idade pra mim nunca foi problema. Quando eu era jovem como ela, tive um rolo com uma mulher de 40. Hoje tenho 56. Mas isso só quer dizer que tenho mais de 40 anos de experiência sexual. É muita coisa para mostrar a esta garota. Tão bonitinha, tão angelical. Ela deve ser tão bobinha. Precisa de alguém mais maduro para lhe ensinar a vida. Ei, olha ela ali, se aproximando. Atrasada. Isso, vem. Passa aqui. Caramba, deixa eu arrumar minha camisa. Vem, boneca, que não estou cheirando bebida nem cigarro dessa vez. Parece cansada. Que foi? Hummm, olhou para mim de novo. Hã, está atravessando a rua? Por quê? Não, não… Volta aqui, porra.
“- Eh, mulher maravilhosa…”
Amanhã eu sei que você vai ter coragem de passar aqui.

Um bilhete tardio

Dezembro 5, 2008

Sem que você percebesse, peguei R$ 1.000 emprestados da sua bolsa, comprei uma passagem sem saber qual destino e parti. Pedi à balconista que escolhesse qualquer cidade, cujo bilhete me custasse até R$ 300, e peguei o papel sem lê-lo. Apenas embarquei na plataforma que ela me apontou. Nem eu sei onde estou agora. Sei apenas que há esta agência dos Correios ao lado da Rodoviária e um hotel barato em frente a uma praça que dá para a igreja matriz da cidade. Aqui está sol e é quente a beça. Estou suando. Estou nervoso. Parece que pela primeira vez fiz a coisa certa em minha vida. Estou feliz comigo mesmo.

Olha, fui embora e não volto. Não adianta me procurar. E não se preocupe, pois assim que consegui um emprego te devolvo o empréstimo. Prometo. Não sei ainda que emprego posso arranjar aqui. Talvez haja algum rádio precisando de um jornalista da cidade grande. Talvez algum político esteja disposto a investir num jornal. São coisas que existem em todo lugar. Se não der, tudo bem. Vi que estão precisando de vendedores numa loja aqui perto. Talvez tente esta vaga. Não sei se tenho sorte com vendas. Por anos tentei te vender o mais puro amor, e nada.

Fique aí e sinta o vento entrar na janela, deixe aquele cd do Radiohead tocar. Não estou aí para impor as minhas músicas. Pegue o jornal e jogue para o alto. Deixe as folhas se espalharem aleatoriamente pela casa. Não tenho como lhe dar uma bronca. Leve aquele piano que você comprou, mas que fiz deixar na casa de sua mãe. Abra todas as portas, arranque das janelas as cortinas que você nunca gostou. Deixe a claridade entrar na casa e invadir seu corpo. Não se preocupe com as cartas, os retratos ou qualquer coisa que a faça lembrar de mim. Já a livrei de tudo. Não há nada com minhas digitais. Vá, olhe para o horizonte mais longe, não sei se daí conseguirá ver o Sol forte que queima meu rosto agora, mas sinta o dia te esquentar. Você está viva. Talvez pela primeira vez depois de tantos anos. Aproveite.

Bandeira branca, meu amor

Dezembro 4, 2008

queria dizer tanta coisa
por onde começar
não pensei
queria falar de coisas
naquela mesa de bar
só nós dois
tão distantes e improváveis
tão próximos e inalcançáveis
caio na besteira
de falar o que me resta
o que me arrasta
a nós dois

Beijos em espiral

Dezembro 3, 2008

A parte mais difícil naquela noite foi saber discernir a mulher que inventei para mim e a que estava ao meu lado. Não devia tê-la acompanhado na bebida. Quanto do que se construía no instante em que ela disse “sim, eu saio com você”, quanto daquilo era uma criação involuntária de meus reprimidos desejos, frustrações e carências? Talvez só Deus soubesse. E se Deus não existir, então ninguém poderia me ajudar.

Ela me deu beijos que existiram sem terem acontecido. E sempre que eu lhe perguntava com um toque em sua nuca se aquilo tudo era real, a resposta vinha em cabelos ondulados. Seus beijos eram esquivos e roubados, que não me deixavam certezas de nada e ao mesmo tempo me puxavam cada vez mais. É importante explicar que eu não alcançava sua língua nunca, mas os beijos em espirais dela me sugavam tal qual um redemoinho. Ela me beijava com o queixo, o pescoço, a nuca e nunca me deixava alcançar a resposta em sua língua.

Ajudaria a entender o que se passava naquele instante se dissesse que naquela noite, antes da situação do carro, houve a situação do bar. Nós conversamos sobre várias coisas, e o que mais me agradava era fazê-la sorrir. Eu não queria deixá-lá beber muito, por isso comecei a beber naquela noite, para ditar o ritmo e para irmos devagar, para que não houvesse nenhum arrependimento. Mas fui eu quem acabou ébrio e então foi como se tivesse me desprendido de todos os poréns. Na verdade, o que aconteceu é que conforme eu me livrava da indiferença, ela me deixava mais confuso. Ela me fez perder a identidade, apagar as fotografias, me deixou sem ter como distinguir. Ela e o álcool.

Eu sabia que aquele era o instante que deveria matar a ficção e seus desdobramentos e avançar na garota real que estava ali na minha frente. O beijo era a resposta. O que eu tive foram apenas sinais dispersos e sugestões contraditórias. A conta-gotas. Eu sabia que quem estava ali naquele carro aquela noite era “eu e ela” e não “nós”. Nunca “nós”. Quando naquele dia em que ela me disse “eu nunca vou te beijar hoje”. O “hoje” era a fechadura quebrada na porta, a única janela sem trinco na casa, o baralho frouxo que faz desmoronar o castelo. Seus olhos escapavam dos meus como se o beijo que existiu sem ter acontecido nem tivesse existido também.

Enfim eu deveria saber que se o que me atraía nela era sua demonstração de certeza em tudo, mesmo quando era perceptível que não se podia ter certeza (e cabe ressaltar aqui que aquela postura era tão distinta da minha, que sempre questionei até mesmo as questões que formulava), se aquilo nela me atraía tanto e se eu me apaixonei foi quando a vi chorando, e também quando ela deu uma risada tão sincera e feminina de uma piada minha, deveria ter imaginado que a partir daquela altura eu estaria fazendo dela uma invenção e que talvez o choque não fosse tão macio.

Discussões em um jornal às 19 horas

Dezembro 2, 2008

Discutir futebol aqui no jornal sempre rende boas discussões. Principalmente quando envolve o time do Vila Nova. O editor de esportes é vilanovense fanático e não aceita discutir nada sobre seu time. Quando passou no telejornal das 19 horas uma reportagem sobre a dispensa do atacante Túlio Maravilha, 39, artilheiro da segunda divisão do Brasileiro com 23 gols, comecei mais um embate com o editor. Só para relaxar, já que estávamos naquele tenso horário de fechamento.

Leijoto: O Vila Nova é burro demais, vai dispensar o artilheiro do campeonato.
Edivaldo: O cara tá velho demais, 39 anos, não joga mais nada.
Leijoto: Não joga, mas faz gol.
Edivaldo: Perdeu dois pênaltis que tiraram o Vila do acesso, um para o Paraná e outro para o Barueri.
Leijoto: É, mas se não fosse o Túlio, o Vila não seria nem o sexto lugar.
Edivaldo: Ah, não vou discutir com quem gosta de novela.
Leijoto: Quem gosta de novela é você, que fica aí vendo esse novelão do Vila tentando chegar na Série A.
Divino: Eu sei de uma coisa, quem sofre com isso é o torcedor, porque fica a mercê de uma diretoria que não conseguiu administrar o time de forma eficiente para conseguir o acesso e agora busca seus bodes expiatórios.
Edivaldo: Quem foi que ligou o microfone do Divino? Corta o microfone dele.
Divino: O Túlio parou de fazer gol depois que foi eleito.
Wesley: Túlio Maravilha, como eu gosto de você (uma versão da música de Jorge Ben).
Leijoto: Ficou no time só quem não atuou nos jogos, porque estes não dá para culpar.
Edivaldo: O Túlio ta velho e vai ser vereador. Não vai treinar nada. São três sessões por semana na Câmara. Como é que ele vai fazer?
Wesley: O Túlio não precisa treinar. Ele já sabe.
Edivaldo: Ah, volta pra sua igreja. Vai lá pagar o dízimo, entregar seu dinheiro, seu trouxa.
Wesley: O que a igreja tem a ver com a burrice do Vila Nova.
Edivaldo: Ah, vai lamber sabão.
Leijoto: Se o Vila Nova fosse bom, seria Setor, seria Residencial, não seria Vila.
Edivaldo: Ô Leijoto, acho que já começou sua novela.
Leijoto: O Túlio vai para o Atlético ano que vem e vai subir para a Série A.
Edivaldo: Se o Túlio é bom, leva pra casa. Você torce pro Santos, Leijoto. Fala sério.

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Diálogos improváveis

- É hoje, Zélia, que eu quero ficar horas a beijar a tua boca, meu amor.
- Mas, João Henrique, eu já gozei.

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Constatações

Todo mundo aqui em Goiânia se mobilizando para “reconstruir” Santa Catarina, e um monte de famílias em áreas de risco sofrendo sem água, energia ou comida.