Volta de apresentação

Novembro 29, 2008

- Pára, pára. Espera. Não dá pra ser mais delicado não?
- Tá querendo um viado na cama?
- Vá tomá no cú, Paulo, você sabe do quê estou falando.
- …
- Não dá pra ser mais sensível? Mais carinhoso? Sua mãe não te deu carinho?
- Deste tipo não. O que você tá querendo insinuar?
- Ai, você já vem pegando, chupando, metendo, depois vai gozar, virar pro lado e dormir. Não é isso que eu quero de um homem na cama. Quero um cara que me satisfaça também, que se preocu…

Não escuto o resto da frase. Juro que não imaginava que essa garota seria assim cheia de frescura. Tenho tido azar com mulheres ultimamente. Ou são muito difíceis de se levar pra cama ou quando as levo com certa facilidade, elas vacilam na hora H. Antes dessa, teve uma que começou a chorar porque o “meu jeito agressivo” na hora de foder lembrava um ex dela que a agredia. “Mas eu não bato em mulheres”, tentei explicar. “Desculpe, mas não é culpa sua.” E não rolou nada naquela noite.

Teve uma outra antes que levei de carro até uma área deserta aqui na cidade. Era tarde da noite. Estávamos avançando rapidamente, pulando estágios, beijos, chupões, roupas arrancadas… Quando estávamos nus, as mãos dela nele, a mulher pára tudo. “Não posso continuar, a gente nem se conhece.” Eu havia pego ela num bar horas antes. Argumentei o velho papo da tesão a primeira vista, que aquilo veio naturalmente, a gente deveria respeitar, mas não adiantou. Apelei: “Mas como você diz isso justamente agora. Olha como estamos! Pelados! Você tá com a mão no meu pau! E vem me dizer que não poder dar pra mim porque a gente mal se conhece. Pôr a mão no pau pode, então? Porque não disse antes. Lá no bar. Eu pegava outra garota.” “Vá se foder, seu porco. Me leva de volta agora.”

Hoje não foi diferente. Eu conheci a… esqueci o nome dela, puta merda… num bar no fim de semana passado. Ela é loira estilo mignon, deve ter seus metro e 60 e uns 60 quilos. Falsa magra, com bons peitos e uma bunda até que arrebitada e dura. Na cama, vi que tem umas estrias, mas tudo bem. Inteirona para alguém de 30 anos. Quando a vi no bar, me chamou a atenção seus lábios, carnudos e um pouco besuntados com um batom levemente roxo. Comentei com um amigo. Acho que ela percebeu e começou a me olhar. Quando foi ao banheiro, fui atrás e nos encontramos quando voltávamos para nossos lugares. Começamos a conversar. E fiquei lá com o grupo dela. Fomos embora juntos. No meu carro. Em uma semana, liguei para ela uma vez e ela, três para mim. Almoçamos juntos na quinta-feira. Escolhi um restaurante vegetariano para impressioná-la. Deu certo. Hoje, havíamos ido ao cinema, depois um barzinho freqüentado por casais e viemos para o motel.

- Então. Você está prestando atenção no que estou dizendo.
- Claro. Claro. Continua.
- Já acabei. P-A-U-L-O. Faz tempo. Poxa. Quando a gente se conheceu, você parecia ser tão diferente.
- Como assim? Você achou que eu queria o quê?
- Achei que você estava gostando de mim.
- Mas é claro que sim. Senão não estaria aqui na cama com você.
- Aposto que você estaria com qualquer uma na cama.
- Com certeza não.

Sempre que falam isso pra mim, me lembro de umas mulheres que nunca levaria pra cama.

- E outra. O seu modo de falar. É muito chão, muito palavrão.
- Eu falo o que penso.
- Então você precisa despoluir essa sua mente.
- Claro. Porque você deve ser daquelas que quando vai pro banheiro pensa “preciso ir ao toalete” e não “porra, preciso dar uma mijada agora”. Eu costumo ser natural, falo o que penso e como penso. Você fala “aquele cara é homossexual”. Eu falo “aquele cara é viado, baitola”
- Paulo, por favor. Vamos voltar a falar da gente. Você sabe o que são preliminares? Já ouviu isso antes?
- Tá, você tá querendo que eu chupe sua xoxota?
- Paulo, pelo amor de Deus, se você falar outro palavrão eu vou embora.
- Eu sei o que são preliminares. É que nem na Fórmula Um, quando os carros dão uma volta de apresentação antes da corrida em si. Para esquentar os motores, deixar o carro preparado. – Falo isso enquanto aproximo o meu rosto ao dela.
- Hã… É. É isso mesmo. – Fito seus olhos. Miro sua boca. Aproximo mais o rosto.
- Bem, e você já fez cinco pitstops hoje, né?
- Como assim?
- Por isso que nunca gostei de metáforas automobilísticas. Prefiro as futebolísticas. Se continuarmos assim, não vamos sair do zero a zero.
- Mas você quer é ficar no um a zero pra você. E eu quero um a um.
- Você tá muito chata. Eu tô vendo que vou ficar no cinco a um.
- Que?
- Deixa quieto. – Meus lábios estão quase tocando os dela.
- …

Com a mão em sua cabeça, aproximei sua boca da minha e a beijei. Meus lábios tocaram os seus com vontade. Nossos dentes chegaram a se bater. Passei a língua pelo contorno da sua boca. Ela enfiou a dela na minha. Suguei sua língua e coloquei a mão dela no meu pau. Ela deixou. Joguei-a deitada na cama e montei nela. Chupei os peitos, um de cada vez, por uns minutos. Talvez fosse isso que ela estivesse querendo. Abri sua boca, enfiei minha língua lá dentro e dei uma cuspida que foi no fundo de sua garganta. Encostei a cabeça do pau na xoxota. Ela soltou um peido. Fiz que não escutei. Ela não. E parou tudo. De novo.

- Desculpe. Mas eu não consigo.
- Não consegue o quê? – (Suspiros de ambos)
- Transar com você. Estou grilada.
- Você “é” grilada. Diferente de “estar” grilada.
- E você não ajuda.
- O que você quer que eu faça?
- Se você fosse mais carinhoso, mais compreensível, já seria suficiente. Mas acho que não te conheço o bastante. Talvez não fosse a hora. Eu precisava ter mais certezas.
- Olha, se eu quisesse ficar conversando com você, dando uns amassos, ficava lá no bar. Quando a gente veio pra cá, achei que você tava a fim de dar pra mim. Porra. É só uma foda. Pra que colocar tanto bicho na cabeça? Vocês, mulheres, colocam tanto empecilho numa coisa que pode ser tão simples e prazerosa que acabam deixando de aproveitar uma coisa que pode ser muito boa.
- Não me venha com essas teorias absurdas.
- Verdade. Você não tem vontade de dar? De sentir um pau em você? E por que então fica com tanto grilo na cabeça. “Ai, o homem tem de ser assim, tem de fazer isso e aquilo, tem de me abordar de tal jeito, tem de falar tal coisa.” Porra, quando no final das contas, o que importa é se o cara mete bem ou não.
- Me surpreende que você não seja mais virgem. Que alguma doida tenha dado pra você. Eu quero voltar pra casa.
- Pronto. Mais uma. Por que você não vai procurar um indiano e fica lá fazendo sexo tântrico com ele?
- Deve ser mil vezes melhor que dar pra você.
- Ei, você falou “dar pra mim”?! Achei que você ia falar “manter relações afetivas que envolvessem algo carnal múltiplo, mútuo e prazeroso”.
- Vá se foder.

Tags:

Deixe uma resposta