Acordei com uma sensação diferente. Estranhei o silêncio. Sem sair da cama, olhei pela janela e vi as pessoas lá fora com seus olhares vazios. Desconfiado de que havia algo errado, liguei o rádio a tempo de escutar o locutor confirmando a notícia. Sem espanto. A verdade é que havia acabado. Peguei o jornal que o porteiro sempre deixa na porta do apartamento. Li, e confirmei. Era o fim mesmo. E desta vez, mesmo sabendo do que há de manipulação por trás de uma notícia, não havia do que duvidar. Na tv, o apresentador do telejornal matutino informou convicto, tratando do assunto com os verbos no passado. Após o banho, liguei para alguns conhecidos. Uns já sabiam. Outros ainda estavam dormindo, mas não ficaram surpresos. Ninguém questionou. Não era nenhuma novidade. Parecia haver uma combinação. Naquela manhã não havia canto de pássaros, nem luz do Sol. O tempo estava nublado e as nuvens avançavam pelo como se quisessem me sufocar. Me sentei na cama e coloquei a mão pelo lençol. Senti a ausência de todos os dias futuros. Dias ainda inteiros, longos e enfadonhos para serem vividos.
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