É dever do jornalista ulular o óbvio

Novembro 26, 2008

Essa é para quem não gosta de dar entrevistas:

Pautei uma repórter para fazer uma matéria sobre a decisão do Ministério Público de entrar na Justiça para proibir que garagistas estacionem seus carros à venda nas calçadas “para exposição” ou mesmo por falta de espaço dentro das garagens. Só que os caras já haviam sido autuados no começo do mês pela Prefeitura e por isso não havia mais nenhum veículo fora do estabelecimento ou do local correto para estacionar. Quando a repórter foi entrevistar um dos garagistas, o escolhido estava muito chateado por ter sido multado pelo órgão fiscalizador da Prefeitura. “Meu contador disse que vai tentar reduzir o valor da multa, mas mesmo assim vou ter de pagar uma grana”, contou à jornalista, mostrando um papel de… autuação. “Mas isso aqui diz que o senhor foi autuado e não multado, diz que o senhor tem até oito dias para tirar os carros da calçada, aí sim, se o senhor não tirasse, a Prefeitura tomaria outras providências”, observou a repórter. Nervoso e chateado, ele ainda tentou retrucar: “É, eu sei, também pensei isso quando li essa folha. Mas meu contador disse que fui multado. Tenho de confiar nele, né?” O óbvio ululante nem sempre ulula para todos.

Não sei o que aconteceu depois que a repórter foi embora dali. Mas achei o caso uma boa história para contar a quem não gostar de atender um jornalista.

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